terça-feira, 28 de julho de 2020

Julho (parte 2)

Não tinha noção do quanto fizemos em Julho até ter começado com estas publicações. Pensava eu que com um post e meia dúzia de fotografias arrumava o assunto, mas estava enganada. 

Hoje deixo-vos as fotos de Windsor, onde fomos uma tarde. Não gostámos muito, porque estava bastante gente e passámos metade do tempo a fugir das pessoas para respeitarmos o distanciamento social e parecíamos ser os únicos preocupados com isso, o que foi um pouco stressante e acabou connosco a voltar para casa mais cedo que o previsto. 

Deixo também as fotos do Birdworld, um parque onde fomos com a Leonor na véspera do regresso à creche, em jeito de despedida. Contrariamente a Windsor, ali sentimo-nos perfeitamente seguros. Pouca gente, os bilhetes têm de ser reservados antecipadamente para respeitar a capacidade máxima de pessoas e toda a gente foi bastante cumpridora. Além disso, o parque é super giro e tem uma quinta adorável, que foi a parte preferida da Leonor. Gostámos tanto que estamos a pensar fazer o passe anual para podermos ir sempre que quisermos, visto que estamos a uns meros 10 minutos de lá. 




Windsor



O meu marido insiste em apanhar-me em poses super fotogénicas










Castelo de Windsor ao fundo, onde a rainha passou a quarentena

















Flamingos no Birdworld




Primeira vez que vi um tucano ao vivo - as fotos não lhe fazem justiça, era lindo!



Primeira vez que vi uma rena!

Leonor e as cabrinhas



Andou maluca a correr atrás deste galo. Tanto, que chegámos a temer pela vida dele.







Eu a fingir que percebo alguma coisa da vida animal.


domingo, 26 de julho de 2020

Sofia na Cozinha | Bolo de pêra

Tinha aqui em casa umas pêras que trouxe do Lidl. Quando as comprei, pareciam bonitas e imaginei que fossem saborosas, mas enganei-me redondamente. Eram para lá de péssimas. Atrevo-me a dizer que nunca tinha comido pêras tão más, pelo que foram ficando esquecidas na fruteira. 

Apesar de não as querer comer, estava a ficar com um peso na consciência de pensar em deitá-las fora. E foi assim que surgiu este bolo: numa tentativa de aproveitar frutinha que, de outra forma, se teria estragado e acabado no lixo. 

O bolo fica fofo, doce na dose certa e cheio de pedaços de fruta. Se forem como eu, que adoro fruta nos bolos, então esta receita é para vocês.

Ingredientes: 
  •  5 pêras (aproveitem as mais nheca que tiverem em casa)
  •  1 colher de sopa de açúcar amarelo
  •  100g de açúcar branco (ou amarelo)
  •  3 ovos
  •  1 chávena e meia de farinha sem fermento
  •  meia chávena de azeite (nunca tenho óleo em casa, mas podem usar óleo, se preferirem)
  •  1 colher de chá de fermento
  •  1 colher de chá de canela
  •  1 pitada de sal
Receita:

  1.  Pré-aquecer o forno a 180º C.
  2.  Untar uma forma de bolo baixa (usei a forma de brownie) e forrar com papel vegetal. Eu forrei com um material reutilizável que comprámos para substituir o papel vegetal.
  3.  Descascar e descaroçar as pêras, cortar em cubos, misturar uma colher de sopa de açúcar amarelo e reservar.
  4.  Bater os ovos com o açúcar e o azeite até ficar homogéneo.
  5.  Juntar a farinha, o fermento, a canela e o sal e mexer bem.
  6.  Juntar as pêras e envolver bem.
  7.  Deitar a massa na forma e levar ao forno pré-aquecido 40 a 50 minutos (fazer o teste do palito).
É maravilhoso, experimentem!




sexta-feira, 24 de julho de 2020

Julho (parte 1)

Ainda ontem parece que era Janeiro e já estamos no fim de Julho. Não tenho muito a dizer sobre estes últimos meses, a não ser o que já todos sabemos: foram péssimos. Viagens canceladas, incluindo a Portugal (nunca estive tanto tempo sem ir a casa como este ano, nem quando a Leonor nasceu), trabalho parado (o meu) ou a partir de casa (o homem teve mais sorte e continuou activo), enfim, a cantiga que já todos conhecemos, uma vez que passámos todos pelo mesmo. 

Julho trouxe consigo uma pequena lufada de ar fresco aqui no UK. A nossa creche reabriu, assim como algumas lojas e cafés (aos quais ainda não me sinto bem em ir, a não ser para take-away) e o meu trabalho começa, finalmente, a retomar. 

Para mim, sempre fez sentido a Leonor regressar à creche, desde que cumpridas algumas medidas de segurança, claro. Por muito que ela tenha adorado estar em casa com a mãe e o pai, estava tornar-se bastante evidente que estava, também, entediada e a precisar de interagir com outras crianças. 

Agradeci muitas vezes durante esta quarentena por morarmos numa casa com jardim, onde a Leonor brincou à vontade. Agradeci por morarmos num meio pequeno, que tornou possível saídas à rua para "esticar as pernas" sem termos de nos aproximar de ninguém. Agradeci por a nossa casa ficar a 5 minutos a pé do parque da vila, que é enorme e nunca está demasiado cheio, onde a Leonor podia correr à vontade e ir ver as vaquinhas que andam por lá à solta. Na verdade, e apesar de 2020 estar a ser péssimo, temos muito para agradecer. A começar pelo facto de nós e todos os nossos familiares e amigos estarem bem. 

Felizmente, olhando agora trás, do que mais me lembro da quarentena são coisas boas. Ver a chuva a cair no conforto de casa, receitas de coisas boas, brincadeiras ao sol no jardim, as gargalhadas da Leonor na piscina insuflável, os passeios para ver as vaquinhas, as sestas ao colo no sofa enquanto eu punha as séries em dia. 

Começámos, este mês, a dar alguns passeios ao fim-de-semana e a fazer algumas coisas mais "normais". Ainda não fomos a restaurantes, mas temos andado a explorar vilas e aldeias aqui à volta, assim como parques - alguns que já conhecíamos, outros não - e a vida começa, assim, a ganhar algumas parecença com a vida "normal".

Meias mais fofas
Meias mais fofas


Minha jogadora de futebol

A pôr a leitura em dia





Leonor e as vaquinhas


Andei a mudar os puxadores da cómoda da Leonor


Banhos de sol no jardim

Muitas brincadeiras com água



sábado, 18 de julho de 2020

Sofia na Cozinha | Bolo de chocolate na caneca (sem açúcar!)

Esta quarentena serviu para testar uma imensidão de receitas, umas boas, outras maravilhosas, algumas (poucas, vá) que não saíram grande coisa. Há várias que planeio partilhar convosco, mas este bolo na caneca - que descobri recentemente - passou para o topo da lista de receitas a publicar porque: 
  1.  é maravilhoso;
  2.  é sem açúcar.
A receita que me serviu de inspiração é esta, mas eu decidi torná-la mais light. A receita original continua a ser bastante saudável, mas saudável não é sinónimo de ser baixo em calorias e esse era um dos meus objectivos. Queria um bolo prático de fazer, que não fosse aumentar em demasia a minha ingestão calórica diária e que, efectivamente, me soubesse a bolo e não a cartão. Posso dizer que já fiz este bolinho várias vezes e de todas as vezes saiu maravilhoso. 

Vou deixar-vos então com a receita e, no final, vou deixar algumas substituições que podem fazer, para o caso de não terem todos os ingredientes. 

Ingredientes:
  •  2 colheres de sopa bem cheias de farinha de aveia de sabor a coco ou bolacha Maria (eu uso da EU Nutrition, que compro online, mas já vi a de sabor a bolacha Maria à venda no Jumbo) - cerca de 30g
  •  1 colher de sopa rasa de cacau (gosto muito do cacau do Lidl)
  •  1 colher de sobremesa de xilitol
  •  1 colher de café (bem cheia) de fermento
  •  2 colheres de sopa de claras (eu compro embalagens de claras líquidas, porque uso em várias receitas)
  •  4 colheres de sopa de bebida vegetal sem adição de açúcar ou leite magro (a bebida vegetal de coco da Alpro combina particularmente bem com a farinha de aveia de sabor a coco - até para fazer papas - e existe uma versão sem adição de açúcar)
Eu começo por misturar os ingredientes secos e junto os líquidos no final. Misturo tudo muito bem e depois vai ao microondas 2 minutos na potência máxima (o tempo de cozedura pode variar consoante a potência do microondas). Utilizando estas quantidades destes ingredientes vão ter um bolinho de chocolate de ~180kcal e com ~1,4g de açúcar.

Substituições: 

  •  podem substituir a farinha de aveia de sabor por farinha de aveia simples, mas é possível que precisem de mais algumas quantidade de xilitol (ou outro adoçante que prefiram);
  •  o xilitol pode ser substituído por açúcar ou qualquer outro adoçante. Relativamente ao açúcar, não importa se é açúcar branco, amarelo, de coco ou cor-de-rosa às pintas, todos são açúcares e opções bastante calóricas. Também podem usar uma banana madura para adoçar, mas lembrem-se que vão facilmente adicionar umas 100kcal extra;
  •  em vez de claras podem usar um ovo inteiro ou um ovo de linhaça - mais uma vez, ambas as opções vão resultar num bolo igualmente delicioso, mas mais calórico.

Agora que já deixei aqui tudo explicadinho, deixem-me ir só ali à cozinha fazer mais um destes, que fiquei com água na boca de o estar aqui a descrever para vocês.








terça-feira, 14 de julho de 2020

Maria-Rapaz

Ontem partilhei no Instagram uma opinião que me deu direito a receber várias mensagens sobre o tema (quase todas a concordar comigo, porque não sou suficientemente importante para ter haters) e, como tal, decidi trazer a discussão aqui para o blog. 

A Leonor tem 19 meses. Ao longo destes 19 meses já ouvi imensas vezes que ela é maria-rapaz, inclusive duma médica - a frase foi qualquer coisa do tipo "Gostas mesmo de engenhocas, pareces um rapazinho!" - e eu tenho de confessar que este tipo de comentário me tira do sério.

Eu e o homem discordamos em imensa coisa, mas há coisas em que estamos 100% de acordo e uma delas é: a Leonor brinca com o que quiser. Se é de bolas que ela gosta, vai jogar à bola. Se ela gosta de dinossauros, brinca com dinossauros. Se gosta de cantar e dançar, vai cantar e dançar. Claro que há crianças e crianças, algumas serão mais ou menos atraídas naturalmente por certo tipo de brinquedos, no caso da nossa filha, ela gosta de coisas que mexam, que façam barulho e adora animais. Tem um Nenuco, que a minha mãe lhe ofereceu. Também gosta imenso dele, dá-lhe abraços e passa bastante tempo entretida a pôr-lhe e a tirar-lhe a chupeta. É muito comum vê-la a passear pela casa com um peluche enfiado debaixo do braço, ao qual dá abraços regularmente. Mas esse peluche é, muitas vezes, um T-Rex. Um dos brinquedos preferidos dela é um reboque de brincar. Quando vai na rua e passa uma mota ou um camião grita "UAU!". E está tudo bem, não é menos menina por isso. Eu acredito até que muita da tendência "natural" de muitas meninas em preferir bonecas e casinhas para brincar é simplesmente porque são essa coisas que veem as mães a fazer. Assim como é natural um menino querer brincar com esses mesmos brinquedos, pelos mesmos motivos.

Mas, se uma menina que goste de camiões e ferramentas leva logo com o rótulo de maria-rapaz, acho que para os meninos os rótulos são ainda mais injustos. Porque as meninas que gostam de "brinquedos de menino" (as aspas estão ali porque eu não acredito em brinquedos de menino e brinquedos de menina) ainda são toleradas. Mas um menino que goste de brincar com bonecas ou às casinhas é logo rotulado de maricas e isso acho que ainda me irrita mais. E não vamos estar aqui com coisas, todos nós conhecemos pelo menos um pai (eu conheço vários) que quando vê um filho brincar com bonecas o encara quase como uma afronta pessoal. E isso é só triste. 

Os brinquedos são feitos para crianças e elas têm todo o direito de os explorar à vontade e de descobrir o que gostam mais e o que gostam menos, sem pressão, sem nenhum adulto constantemente a tentar empurrá-las numa certa direção, sem rótulos. Estamos em 2020. Temos uma pandemia, temos oceanos entupidos de plástico, temos terroristas. A sério que ainda queremos perder tempo a obrigar os nossos filhos a brincar com aquilo que nos meteram na cabeça a nós que é "normal"?

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