sábado, 22 de fevereiro de 2020

Sofia em Passeio | Cotswolds

Já se está a tornar tradição festejar o meu aniversário em viagem. Por favor, que ninguém me dê os parabéns, que a coisa já se deu em Setembro. Mas, agora que tenho uma cria e continuo a ter um emprego (que nada tem a ver com este pequena estaminé), o blog fica para quinquagésimo plano. Vai daí, e porque mais vale tarde que nunca, vim hoje mostrar-vos as fotos do local onde fomos este ano. Ups, no ano passado. 

Os 29 foram festejados em Barcelona. Os 30 em Nova Iorque (foi todo um sonho) e os 31 foram festejados nos Cotswolds. 

Inglaterra tem-me surpreendido bastante, há tanto mais para ver que Londres! Inglaterra rural é qualquer coisa - cheia de natureza, de vistas bonitas e de casas acolhedoras. Os Cotswolds são uma zona conhecida do país (onde mora a Kate Winslet, por exemplo). Só tivemos oportunidade de explorar um bocadinho mas, sem dúvida, que é lindíssimo. Fiquei particularmente fã de Bibury, uma aldeia pequenina e que já foi considerada como a aldeia mais bonita de Inglaterra. Tivemos azar com a meteorologia, esteve um fim-de-semana bem cinzento, mas nem isso chegou para estragar a paisagem.

Vou deixar-vos com algumas fotos e dizer-vos e que aconselho vivamente um passeio por estas bandas.





























domingo, 12 de janeiro de 2020

E assim se passou um ano!

Não se passou um ano desde a minha última publicação, mas pouco faltou. Podia dizer que foi por falta de tempo, mas isso seria só meia verdade. Não que a minha filha me deixe muito tempo livre em mãos, que *porra* não deixa mesmo, mas mesmo assim já podia ter vindo aqui dar uma sacodidela nestas teias de aranha. Não vim, maioritariamente, porque tive preguiça. 

Ora bem, e que andei eu a fazer neste ultimo ano? Tanta coisa, senhores, tanta coisa. Mas como quero ir com calma (até porque despejar um ano - quase - inteiro num só texto é coisa para se tornar numa grande maçada), vou deixar-vos com um dos momentos mais felizes do ano 2019. E que momento foi esse, perguntam vocês, minhas pequenas estrelas cadentes? Foi a festa do primeiro aniversário da Leonor. 

Xinapá, já fez um ano! É verdade, sim senhor. Consegui mantê-la viva um ano inteiro e sobreviver, eu também, para contra a história, sendo que este ultimo ponto é particularmente digno de festejos.

Ora, nós não fizemos a coisa por menos e a Leonor teve direito a bolinho para levar para a creche no dia do aniversário (saudável, com pouco açúcar, para não enfurecer nenhuma mãe), teve direito a bolo no dia seguinte (que foi sábado e foi quando conseguimos cantar os parabéns, que ela na véspera vinha tão cansada da escola que adormeceu antes do jantar) e esse bolo já foi de chocolate -  a Leonor provou e decidiu que aquilo não era para ela, é muito fit esta minha filha. E tivemos "a" festa. A festa em Portugal, onde pudemos contra com a presença de amigos e familiares e que foi a coisa mais linda de sempre. Vou deixar-vos com as fotos, para verem que não estou a mentir. Gostava imenso de ficar com os louros de ter organizado a festa eu mesma, mas o único mérito que tive foi pelo bom gosto de ter contratado a Sweet Eli (podem descobri-la nos facebooks e instagrams desta vida) que deu vida àquilo que eu tinha imaginado para o primeiro aniversário da Leonor.

E, sem mais demoras, até porque já me doem as costas de estar aqui sentada, fiquem com as fotos. 

Ah, e bom ano a todos! 
















sexta-feira, 29 de março de 2019

Sofia and Baby | Sobre essa coisa chamada "expectativa"

Algures a meio do século passado, houve alguém, com certeza um homem e com certeza muito iluminado, que decidiu "Não, chega desta coisa de se ter trabalho com bebés. A partir de agora um bebé tem de ser um pequeno anjo que dorme, come e sorri pacificamente o dia todo e a mãe tem de ser uma espécie de autómato super eficiente e capaz de manter todos os aspectos da sua vida, incluindo o bebé, completamente sob controlo.". Muito bonito, sim senhor, só foi pena terem-se esquecido de avisar os bebés de que a partir de agora ia ser assim. 

Desde que entrei neste mundo da parentalidade que me deparei com uma expectativa da sociedade que em nada corresponde à realidade que estou a viver. Talvez com alguém por perto para me dar uma ajuda eu estivesse a ter uma experiência diferente, ou menos cansativa, pelo menos. Não faltam por aí livros e textos na Internet a ensinarem as pessoas a serem mães e pais exemplares, assim como não faltam sugestões daquilo que é um bebé exemplar. Mas deixem que vos explique como é a minha bebé real: estou a escrever este texto de pé, na sala, com o computador pousado em cima dum móvel, porque se me sentar, a Leonor vai acordar. Ah, e esqueci-me de referir que a Leonor está ao colo, enfiada no baby carrier. Estou rodeada de caixas de cartão, porque mudamos de casa daqui a uma semana. Consegui tomar o pequeno-almoço, lavar os dentes e vestir umas calças, mas ainda antes de conseguir tirar a camisola do pijama, tive de pegar na Leonor ao colo. A Leonor chora. A Leonor pede colo. A Leonor não só pede colo, como pede o meu colo. Está a passar por uma fase em que nem vale a pena tentar com que fique na cama dela, porque por muito profundamente que esteja a dormir no marsúpio, abre os olhos ainda antes de tocar no colchão. "Não a devias ter habituado a dormir ao colo". Não habituei. Sempre a pousei na cama dela para dormir, desde que viemos do hospital. Mas quando ela chora a pedir colo, também sempre lho dei. "Deixa-a a chorar, que ela cala-se": Sim, se eu fizer isso, eventualmente, ela vai calar-se. Mas digam-me uma mãe que tenha conseguido fazer isso sem se sentir a pior pessoa do mundo. Provavelmente, até só o fez por se ter deixado convencer de que estava a fazer o melhor pelo bebé, quando actualmente está mais do que demonstrado que sim, os bebés param de chorar, mas pelas piores razões e que não responder ao choro dum bebé tem consequências só e apenas negativas. Claro que a minha bebé já ficou a chorar, se eu estiver a meio do duche não posso ir imediatamente pegar-lhe, tenho de, pelo menos, sair da banheira e secar-me. Mas isso é uma situação pontual. Se o meu marido chegar a casa e eu estiver a chorar e, em vez de me consolar, ele me disser "Olha, vou ignorar-te, mas é para o teu bem, para que aprendas a consolar-te sozinha" eu eventualmente vou consolar-me sozinha, mas também lhe vou atirar com qualquer coisa bem pesada à cabeça. E eu sou uma mulher de 30 anos, que consegue perceber as palavras dele. Porque raio é que exijo que quem gosta de mim se preocupe comigo quando choro, mas vou ignorar a minha bebé de poucos meses que está a chorar e claramente precisa de mim?

Quando digo que estou cansada, muita gente fica admirada. "Como é que estás cansada se ela dorme bem de noite?". Graças a Deus que ela dorme bem de noite, senão eu não estava cansada, estava louca. Ela dorme bem de noite, mas exige muito de mim durante o dia. Já começa a entreter-se sozinha com brinquedos, mas ainda por pouco tempo. Adora o pai e adora o colo do pai, mas o pai passa o dia a trabalhar e em casa só há mais uma pessoa para lhe dar colo: a mãe. Eu. Eu tenho que lhe dar de comer, banho, vestir, mudar  fraldas, brincar com ela, encarregar-me de que durma. E ainda tenho de conseguir, pelo menos, lavar-me e alimentar-me. A Leonor começou a perceber quando eu não estou presente e se não me consegue ver, chora. Já não há colo do pai ou de ninguém que seja suficiente para a consolar por muito tempo. Se é cansativo para mim? Muito. Mas também quer dizer que criou uma ligação comigo que não tem com mais ninguém. "Mas nunca mais vais ter vida". Bem, assim de repente, o meu coração está a bater e estou a respirar sem problemas, portanto, acho que é seguro concluir que estou viva. Quanto ao resto da minha vida, se eu quisesse mesmo muito que continuasse a ser como antes, então não tinha tido um bebé. 

Se é duro ela só conseguir dormir ao colo desde há umas semanas para cá? Muito. Mas se eu a tiver ao colo e ela dormir, então quando estiver acordada vai estar relaxada e bem disposta. Se eu insistir para que durma sozinha (porque já tentei), vai dormir pouco, mal, andar rabugenta e ainda mais agarrada a mim.

Onde quero chegar com isto? Parem de me dizer o que fazer com a minha bebé. Eu não quero conselhos sobre como a “treinar” para fazer isto ou aquilo. Eu não dirijo um circo e a minha filha não é um animal amestrado. Por alguma razão todos achamos normal que cachorrinhos bebés estejam sempre à volta da mãe. Mas um bebé humano, que não consegue fazer literalmente nada por si só, ao colo da mãe? É um escândalo. E assim se cria uma mãe insegura, que sente que está a fazer tudo mal e que todos a julgam. Uma mãe que sente que está a falhar e que continua a dar colo ao bebé, mas às escondidas, para ninguém saber e ela não passar vergonhas. Tenho a certeza de que muitas depressões pós-parto se iam evitar se em vez de conselhos e palpites que ninguém pediu, as pessoas se preocupassem em ajudar as mães cozinhando-lhes uma refeição quente ou passando a ferro a roupa que se acumula.

No meu caso, a distância não ajuda. Não há ninguém por perto para fazer estas coisas por ou para mim. O cansaço acumula-se e não há par de braços extra para fazer nada por mim quando o meu par de braços já está ocupado. Mas então limitem-se a ouvir-me sem me julgarem. Tenho a "sorte" de ser rija. As aspas estão ali porque não é sorte, é porque já passei por muito na vida e aos 30 anos já não é qualquer coisa que me deita abaixo. Mas sei que muita gente não é assim e sei que se não fosse assim, muito provavelmente também eu já estaria com uma famosa "depressão pós-parto", porque se ter um filho é difícil, ter um filho sem uma única pessoa por perto para ajudar, é todo um outro nível de difícil.

Por isso, o meu único conselho a todas as grávidas que me estejam a ler é: a vossa vida vai virar-se do avesso, vai ser tudo muito melhor e muito pior do que aquilo que estão a imaginar, por isso baixem as expectativas e tentem só aproveitar o momento. Rodeiem-se de pessoas que vos compreendam, que vos façam bem e ignorem as outras. E aproveitem o vosso bebé, porque as horas vão ser longas, mas os meses vão passar rápido.

segunda-feira, 11 de março de 2019

Osteopatia para bebés

Já tinha ouvido falar sobre osteopatia para bebés, mas foi durante a minha gravidez que tentei aprender mais sobre o assunto. Foi-me dito que era muito bom para ajudar a acalmar os nossos pequeninos e que podia ser particularmente útil para ajudar a lidar com as cólicas. 

A Leonor teve cólicas a partir das 3 semanas e passámos uma fase complicada… A medicação que me aconselharam não estava a ser suficiente, reagiu muito mal ao Infacol (que tem o mesmo princípio activo do Aero-om que existe em Portugal) e estávamos a notar melhorias com o medicamento alternativo, mas era muito complicado para mim dar-lho porque não lho podia administrar directamente, tinha de tirar leite e juntar ao leite, o que nem sempre era possível. Além das cólicas, começou a ter refluxo e a cereja no topo do bolo foram os dias seguintes a ter tomado as primeiras vacinas  em que só chorava. 

Tínhamos algum receio em levá-la a um osteopata, porque sabia que lhe iam mexer na cabeça e tinha muito medo de que lhe fizessem mal se não soubessem bem o que estavam a fazer. Acabei por marcar consulta com uma osteopata que me foi recomendada por uma pessoa de confiança e que também leva lá a sua bebé.

A Leonor tomou as primeiras vacinas numa quinta-feira e a nossa primeira consulta foi no sábado seguinte. Chegámos lá sem expectativas nenhumas e durante o tratamento pensámos os dois que a senhora não estava a fazer nada, parecia apenas que tinha as mãos pousadas na bebé, mas a verdade é que saímos de lá com uma bebé nova.

A osteopata avisou-nos que ela ia ter bastante fome a seguir aos tratamentos e que eu tinha de ter paciência - o que se veio a confirmar. Mas a Leonor veio de lá completamente diferente, com menos refluxo, extremamente calma, até a maneira de mamar mudou. Já fomos lá uma segunda vez e temos já a terceira sessão marcada, porque em dia nenhum ela dorme tão bem como nos dias em que vai às consultas e só por isso já vale a pena. Além disso, há várias coisas além das cólicas (que agora parece que já passaram de vez) e do refluxo em que notámos melhorias, como nos movimentos da cabeça: no primeiro mês de vida, a Leonor virava muito bem a cabeça para a esquerda, mas custava-lhe a virar para a direita e saiu logo da primeira consulta a virar lindamente a cabeça para ambos os lados.

Tivemos uma experiência tão positiva com a nossa osteopata que decidi que tinha de vir aqui partilhá-la convosco e dizer que sem dúvida que recomendo a osteopatia para quem tem bebés pequeninos. Claro que acho importante certificarem-se (ou tentarem, pelo menos) do tipo de pessoa a quem vão confiar o vosso bebé. Nós tínhamos osteopatas a 5 minutos de casa e escolhemos esta, que nos obriga a uma viagem de carro de quase 40 minutos e que cobra uma pequena fortuna por cada consulta, mas de quem tínhamos boas referências. É questão de pesar os prós e os contras para cada um, mas estamos mais do que satisfeitos. Nunca pensei que fosse notar tão bem os resultados como notei e, por isso mesmo, só posso mesmo recomendar.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Dia vs Noite - como ajudar o bebé a distinguir

Não sou nenhuma expert no que diz respeito a bebés ou a esta actividade extremamente complexa que é ser mãe, mas enfim, uma pessoa faz o melhor que pode e volta e meia a coisa até corre bem. 

Desde que engravidei que comecei a ler tudo o que encontrava sobre este mundo e rapidamente cheguei à conclusão de que estas leituras valem o que valem - cada bebé é diferente, cada pai/mãe também e as experiências e opiniões dificilmente vão coincidir. 

Um dos temas mais debatidos por essa Internet fora é, compreensivelmente, o sono dos bebés. Há um sem fim de técnicas, de rotinas, de especialistas, disto e daquilo. 

Quando comecei a ler sobre este tema, rapidamente me apercebi de que não há muito consenso sobre esta temática. Li em vários sites e blogues que é impossível ter algum tipo de rotina ou distinguir a noite do dia durante os primeiros meses, enquanto que outras pessoas diziam que sim, é possível o bebé fazer essa distinção.

Aquilo que posso retirar da minha experiência é que, de facto, rotina é um conceito que os bebés pequenos desconhecem. Querem comer quando querem comer, querem brincar quando querem brincar e muito dificilmente vão querer a mesma coisa à mesma hora todos os dias, portanto, o melhor é mesmo uma pessoa conformar-se e aceitar que vão haver dias em que só vai conseguir almoçar às 4 da tarde.

Já no que diz respeito a compreender a diferença entre noite e dia, depois de muito ler e pensar sobre o assunto, decidi que ia tentar, porque mal não fazia. Na minha cabeça fazia sentido que a minha filha fosse capaz de fazer essa distinção; uma vez que o ser humano é um animal diurno, achava eu que havíamos de ter algum tipo de "instinto".

Sendo assim, desde que a trouxe para casa que fiz um esforço para que ela compreendesse que, de facto, dia e noite são diferentes. Durante o dia, fazia questão de que houvesse luz em casa (mesmo durante as sestas, mas isto só durante o primeiro mês), falava sempre num tom de voz mais animado, cantava, brincava, ligava a televisão, levava-a a passear, enfim, tudo o que me lembrasse. Já durante a noite, tentei sempre manter o ambiente muito mais silencioso, menos brincadeiras, menos conversa e sempre num tom mais baixo e pouca luz (só mesmo a necessária para eu conseguir ver o que estava a fazer). Coincidência ou não, o comportamento da Leonor sempre foi completamente diferente durante o dia e durante a noite. Tivemos meia dúzia de noites complicadas (se tanto) por causa das cólicas, mas foram uma situação excepcional. Regra geral, ela acorda apenas para comer e, estando de fralda limpa e barriga cheia, adormece logo de seguida, sendo que até aguenta mais tempo entre mamadas que durante o dia.

Como disse, não sei até que ponto tive sorte ou se algumas das minhas estratégias realmente funcionaram, mas achei que podia partilhar aqui a minha experiência - pode ser que ajude alguém. E, já sabem, se tiverem dicas úteis podem sempre deixá-las nos comentários!

segunda-feira, 4 de março de 2019

8 Dicas Para Sobreviver à Gravidez

A minha gravidez já lá vai, passaram quase 3 meses desde que tive a minha criança, e não deixou saudades. Sempre soube que estar grávida não era para mim e comprovou-se, não gostei nada. Apesar de ter tido aquilo a que se chama uma "gravidez santa" (se excluírmos as náuseas do primeiro trimestre), foram 37 semanas em que só me queixei e fartei-me de pedir para que passassem depressa. E passaram, que a criança decidiu sair 3 semanas antes do previsto, ali mesmo no limite entre ser considerada uma bebé de termo ou prematura.


Para quem, como eu, encara a gravidez apenas como "um mal necessário", podem continuar a ler. A todas as outras pessoas, que acham que é a melhor fase da vida duma mulher, façam o favor de se porem a andar, que eu não quero aqui gente tola (estou a brincar, não se apoquentem.).


Estou a escrever isto essencialmente para mim, para o caso de daqui por uns anos me passar uma coisa má pelas vistas e decidir que quero ter mais um filho poder vir aqui e dar uma vista de olhos, mas fiquem lá então com as minhas dicas para vos ajudar a passar pela gravidez sem endoidecer e sem matar ninguém (não é fácil, meus amigos, não é fácil).


  1. Vai passar mais depressa do que o que julgas. Pronto, esta é só assim o cliché dos clichés, mas é a mais pura das verdades. Uma pessoa engravida e pensa que 9 meses são toda uma eternidade, mas o puto vai estar cá fora em menos de nada. Com náuseas é que a coisa fica um bocado mais chata, que cada dia parece uma semana inteira, mas aguenta-te que lá acabam por passar.
  2. Aprende a filtrar. A partir do momento em que engravidas, deixas de ser um ser humano com direito ao seu próprio espaço e privacidade (e vontade!) e passas a ser propriedade pública. Ou então não, como é óbvio, mas toda a gente vai achar que sim. Desde pessoas que nunca viste antes na vida passarem a mão na barriga (sem sequer pedirem autorização, pois está claro) a toda a gente que conheces ter um palpite para dar, vais precisar de muita paciência. Que obviamente não tens, não é por estares grávida que de repente és a Madre Teresa, mas uma pessoa tenta. 
  3. A tua barriga não vai agradar a toda a gente, incluindo a ti própria. Eu detestei a minha barriga de grávida. Sei bem que nem tive uma barriga exageradamente grande e não tive uma única estria (benzódeus), mas continuava a não gostar de ver a minha barriga grávida. E ainda não voltei a gostar dela, já que se está a falar no assunto, mas lá chegarei. Mas o facto de não gostar da barriga tornou ainda mais irritantes os comentários constantes. "Ai que barriga grande", "ai que barriga pequena, nem parece que estás grávida"- às vezes ouvia as duas versões no mesmo dia. É respirar fundo e ignorar, gente.
  4. Estar grávida não é desculpa para começar a comer como um alarve. Alimentação saudável, sim com certeza, mas ninguém precisa de esvaziar o frigorífico às 3 da manhã só porque está grávida, não me venham cá com merdas. Já a amamentar a coisa muda de figura, aí sim, tive muita fome, mas entretanto já acalmou (mais-ou-menos, vá). Moral da história: mantém a alimentação sob controlo, vais agradecer a ti própria quando a criança nascer e quiseres perder os quilos a mais.
  5. Mantém-te activa, mas não exageres. Passei a gravidez toda a ouvir que devia exercitar-me, porque era o meu primeiro filho e ia nascer depois do tempo e que o exercício ajudava  a criança a querer sair e mimimi pardais ao ninho. Resultado: eu era aulas de yoga (que são maravilhosas e aconselho a todas as grávidas), treinos 4 a 5 vezes por semana, caminhadas todos os dias, enfim, e a criança saiu foi mais cedo. Mal não fez e tenho a certeza que o parto foi tão rápido como foi e que não precisei de um único ponto muito graças à boa condição física que tinha, mas acho que podia ter relaxado mais.
  6. Aulas de yoga para grávidas? Sim, por favor. Em qualquer outra altura da minha vida, nunca que me apanhariam numa aula de yoga. Coisas demasiado zen dão-me nos nervos (e pessoas demasiado zen então nem se fala), mas durante a gravidez foram uma maravilha, especialmente para me ajudar a lidar com as dores de costas.
  7. Previne as estrias desde o início. "Sofia, qual foi a primeira coisa que compraste quando soubeste que estavas grávida? Um babygrow fofinho? Uns carapins adoráveis?". Não, gente. A primeira coisa que comprei foi um frasco de Bio-oil para me começar a besuntar, que tinha pavor de ganhar estrias. O Bio-oil foi o meu melhor amigo até ao terceiro trimestre, altura em que comecei a alternar com o creme anti-estrias da Palmers, por sugestão duma amiga. Não sei até que ponto são os cremes que funcionam ou se é uma questão da pele de cada um, mas não ganhei nem uma estria para amostra.
  8. Lembra-te de que vai valer a pena. Estar grávida é uma merda, falando em bom português, mas no fim lá vem a recompensa, quando te põem em cima uma bolinha pequenina, um mini ser humano, que te andou a desarranjar os órgãos internos durante 9 meses, mas tu vais perdoar-lhe tudo assim que lhe puseres os olhos em cima.

sexta-feira, 1 de março de 2019

Exercício de gratidão

Li por estes dias no Instagram a seguinte pergunta: "E se acordasses amanhã apenas com aquilo por que agradeceste hoje?" e tenho pena de não me lembrar onde foi que li, porque achei um óptimo exercício. 

É tão fácil sermos consumidos pelas nossas lamúrias, por aquilo que gostávamos de mudar, por tudo o que gostávamos de ter e não temos, que não paramos para apreciar as coisas boas. 

Quando li esta pergunta, a primeira coisa que senti foi culpa. Culpa porque sei que, a acontecer, eu iria acordar com muito menos do que aquilo que tenho hoje, mas que tomo por garantido e me esqueço de valorizar. Assim sendo, hoje vim aqui expressar a minha gratidão. Estou grata pela minha família, a que está longe e a que vive aqui em casa comigo; estou grata por ter saúde - não só a minha, mas a dos que me rodeiam; estou grata pelas bochehcas gordas da minha filha, que são tão boas para dar beijinhos; estou grata por ter um emprego; estou grata por ter uma casa e, mais importante ainda, por ter um lar; estou grata por ter os amigos que tenho; estou grata pela cidade onde vivo, da qual gosto tanto; estou grata por todas as viagens que já fiz e pelas memórias que me deixaram. Muito sinceramente, estou grata por tanta coisa, que é difícil enumerar tudo. Vou antes dizer que estou grata por tudo. Sim, tudo. 

Não vou estar aqui com falsos moralismos e dizer que não mudava nada ou que não há nada que queria e não tenha, porque claro que há. Há sempre vontade de melhorar, de ir mais longe (ou de ficar mais perto), muito mundo para ver e muitas conquistas pela frente. Mas isso não me impede de reconhecer todas as coisas que já tenho - e que são tantas!

E vocês? Se amanhã acordassem apenas com aquilo pelo qual foram gratos hoje, acordavam com o quê?