quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Um-dó-li-tá

Eu adoro crianças. 

Crianças que estejam a uma distância de segurança de 10 metros de mim. Com açaime e uma trela. Ok, sem o açaime e sem a trela. Mas longe. Longe de maneira a que eu apenas as consiga ver, sorridentes e a saltitar por entre os campos verdejantes e com as borboletas a esvoaçarem em volta, mas de maneira a que não consiga ouvir as birras, os guinchos, os choros, enfim, todas essas coisas adoráveis. Acho verdadeiramente amoroso ver um bebé a lutar sozinho contra a colher e contra a papa. Mas ia odiar se ele o estivesse a fazer ali mesmo ao meu ladinho, ao melhor estilo de "e agora esta é pelo pai, e esta é para as minhas calças, e esta é pela avó e esta é para os meus sapatos novos". O facto de, volta e meia, ter que lidar com crianças no meu trabalho não ajuda a que eu aprenda a gostar mais delas, muito pelo contrário. Cada vez tenho menos paciência para as aturar, a verdade é esta. Amo os meus irmãos e todas as restantes crianças da família (não são muitas que, felizmente, a criançada cresce depressa) e tenho a certeza que um dia que seja mãe vou ser louca pelos meus filhos, as minhas crianças. Porque vão ser minhas, e por mais nenhuma outra razão no mundo. Duvido que vá começar a adorar as birras, mas vou ter que lidar com elas, porque vai ser essa a minha função. Mas agora, não é. Agora, tenho todo o direito de não querer aturar ninguém. Tenho todo o direito de achar uma criança um amorzinho, mas de fugir a sete pés quando ela se aproximar de mim ou me dirigir a palavra (porque é que têm que fazer tantas perguntas? A sério, porquê?). "Olha, está ali um elefante cor-de-rosa!" e puf, quando voltarem a olhar, eu já lá não estou, tal e qual um truque de magia.

Ora, sendo eu uma pessoa que não morre particularmente de amores por crianças acho, no mínimo, irónico que eu esteja rodeada da pior espécie de crianças que existem: as crianças versão "embalagem de adulto". É que dão 15 a 0 às birras de "não quero comer sopa!" com que todos os comuns mortais já tiveram que lidar, pelo menos uma vez na vida. Mas porquê, senhores, porquê? Porque é que não me podem deixar em paz no meu canto? Eu não chateio ninguém, não me meto com ninguém mas, por mais que tente passar despercebida, há sempre algum iluminado que me arrasta para o meio da confusão. E ali fico eu, a tentar fazer uso da minha grande paciência (fica aqui o aviso, a minha paciência é grande, mas não é infinita) para apaziguar os ânimos, mas não adianta que estes bebés são muito teimosos e acho que só à paulada. E eu não sou grande adepta da violência, não faz parte da minha maneira de ser, mas como disse uma vez a mãe duma amiga minha: "um castigo é como um investimento a longo prazo; eu gosto mais duma estalada a pronto". E isto começa a fazer cada vez mais sentido na minha cabeça. Tenham medo, muito medo (ou não, que se realmente há pessoa que se deixa levar até ao limite, essa pessoa sou eu. Mas fica sempre bem uma tentativa de imposição).

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