quinta-feira, 26 de novembro de 2015

La vie en france #11

Nos últimos dois dias estive em Paris para um congresso. Não fazia grande questão de ir, mas lá fui meter-me na confusão e tentar aprender alguma coisa de novo.

Foram dois dias muito animados e extremamente cansativos (mas ponham extremamente nisso), acho que preciso de dormir uma semana inteira só para recuperar. 

Foi por estarmos tão cansados ontem ao fim do dia, que decidimos que merecíamos apanhar um táxi para ir do Palácio dos Congressos até à gare. Calhava bem haver uma praça de táxis mesmo perto do palácio, nós estávamos carregados com malas, carteiras e sacos e mais sacos da exposição e lá fomos nós, contentes da vida porque não íamos passar, mais uma vez, pela agonia que é andar no metro de Paris. A coisa começou bem assim que saímos do Palácio: um vendaval com rajadas a 200km/h (estou a exagerar, mas é para perceberem que estava mesmo muito vento), chuva, frio. Nos 40 metros que separavam a porta do Palácio da porta do táxi, deu-se lugar a toda uma epopeia digna duma cena de filme: guarda-chuvas a partir, cachecóis contra a cara, saias pelos ares, qual Marilyn Monroe, qual quê. Lá entramos no táxi. Ufa.

Senhor Taxista arranca. Já sabíamos que íamos perder o comboio das 18h12, mas talvez desse para apanhar o das 18h42. Senhor Taxista diz que vai ser difícil, porque está muito trânsito. Primeira coisa que se deve saber sobre o trânsito em Paris: ninguém respeita ninguém. Segunda coisa que se deve saber sobre o trânsito em Paris: ninguém apita para vos chamar a atenção duma asneira que tenham feito; as pessoas apitam para vos avisarem de que vão fazer uma transgressão e precisam de espaço, do género "arreda-te para onde puderes que está vermelho, mas eu quero andar". Senhor Taxista resolveu que nos ia "comer em molho de cebolada" (expressão muito bem aplicada pela Cláudia) e ganhar uns trocos extra para um café e andou a fazer um passeio turístico pela cidade, em vez de nos levar directos. Como se não bastasse, senhor taxista deve ter obtido a carta de condução na caixa dos Chocapic, pois parecia nunca ter ouvido falar de regras de trânsito. Está vermelho? Não faz mal, é para andar. Ah, mas está verde para os outros carros? Azar, eles que passem por cima. Estão peões a atravessar a rua? Contornem o carro, que se têm perninhas é para andar. A dada altura, senti-me como se estivesse numa cena do "The Walking Dead", quando uma multidão de gente que queria atravessar a rua avança furiosamente em direcção ao táxi que, por sua vez, quase conseguia atropelar dois ou três. Foi aqui que a Cláudia decidiu fechar a janela, pois mais valia aguentar os 27 graus que estavam dentro do carro do que levar um banano dum transeunte enraivecido. 

Finalmente, começámos a aproximar-nos da gare. Senhor Taxista passa mais um semáforo vermelho. Desta feita, foi embater numa mota, atirando a dita cujo e o respectivo condutor ao chão. Senhor Taxista nem pestaneja. Depois do dia épico que estávamos a ter, eu vi o homem a cair e pensei "está morto" e tirei o cinto de segurança, a preparar-me para sair do carro, assim como outro dos meus colegas. Senhor Taxista lá pensou que seria boa ideia sair do carro e ir avaliar os estragos. Não houveram estragos. O homem estava bem e de saúde, sem nada partido. Senhor Taxista atirou as culpas para o autocarro que estava quieto e sossegado sem estorvar ninguém.

Chegámos à gare. Perdemos o comboio das 18h42, mas pudemos ir ao Starbucks beber um Gingerbread latte e começar a recuperar de toda esta emoção.


Gingerbread latte. Aconselho vivamente.

22 comentários:

  1. Bem, essa viagem de taxi foi digna de uma novela mexicana haha. Ao menos chegaram são e salvos, e ainda puderam beber esse gingerbread latte que a avaliar pela fotografia, devia estar óptimo :)

    Ricardo, The Ghostly Walker.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Novela mexicana, filme indiano, o que lhe quiseres chamar =P e sim, estava mesmo óptimo!

      Eliminar
  2. Fartei-me de rir com o teu post loool, eu apanhei o metro e consegui apanhar o comboio, corri feita louca com a Tati e as malas as costas mas lá o apanhei, quanto ao gingerlatte gostei muito, tmb já provei lol. Este congresso arrasou-me estou toda partida. beijinnhos SM

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Bem, ao menos ficámos com histórias engraçadas para contar ;P

      Eliminar
    2. O congresso arrasou-te a ti e a toda a gente! A cada vez que lá vamos parece que fomos que passou um camião em cima

      Eliminar
  3. Bem que aventura! O transito em Paris é realmente um caos!
    R: Penso que enviem. Eles enviam para imensos paises :)
    beijinhos
    http://direitoporlinhastortas-id.blogspot.com/

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O trânsito em Paris é indescritível, só mesmo passando pela experiência =P

      Eliminar
  4. Que correria que deve ter sido ahhahahah Vá lá, chegaste sã e salva e ainda bebeste o late que tem óptimo aspecto! Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Preferia ter chegado mais cedo a casa e não ter bebido o latte, mas pronto, não se pode ter tudo na vida ;p

      Eliminar
  5. Confesso que, eu MR, numa situação destas me tinha passado com o Taxista (o que não adiantaria nada), e depois não sei se conseguia "divertir-me" ou se ficava "mal disposta" o resto do tempo!
    Certo é que, não adiantaria de nada :)
    MR<3
    @sagadaemigracao

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu sou o tipo de pessoa que quanto maior a desgraça, mais eu me rio =P

      Eliminar
  6. Porra, demasiada adrenalina para uma viagem só!

    ResponderEliminar
  7. Respostas
    1. Se é para ser, então que seja em grande!

      Eliminar
  8. E, além de toda esta aventura, ainda tive de passar pela experiência de receber esmola de um pedinte, ah? La vie en France est très jolie, ah bah oui =)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Bem, nem vamos falar mais desse personagem, que se o volto a ver na gare enfio-lhe um par de estalos =P

      Eliminar
  9. Opa esse relato de condução só me fez lembrar a condução aqui em Angola... O que em ri kkkkk

    ResponderEliminar