segunda-feira, 2 de maio de 2016

2 anos

Não sei em que dia exacto cheguei a França, mas sei em que dia começou o meu contrato de trabalho: 2 de Maio de 2014, ou seja, há 2 anos atrás.

2 anos.

Muito se passou nestes 2 dois anos: muitos jantares, muitas horas em aeroportos, muitas gargalhadas, muitas histórias caricatas para contar, muitas lágrimas, muitas saudades. É uma sensação engraçada, parece que estes anos passaram a voar (2 anos? Já?) e, ao mesmo tempo, tenho a impressão de que já estou aqui há uma vida inteira. Os dias de ser explorada em Portugal ficaram para trás, bem longe, não existem mais a não ser em memórias remotas, bem guardadas nos recônditos mais profundos da minha memória.

Ultimamente, tenho falado em voltar a mudar. Vai acontecer, eventualmente. Mas vai-me custar. Nunca pensei vir a dizer isto, mas vou ter saudades de Troyes. Vou ter saudades do meu apartamento minúsculo e das pessoas que trabalham comigo. Aqui cresci muito, pessoal e profissionalmente. Aprendi aquilo a que tenho direito e muito dificilmente me voltam a apanhar a aceitar trabalhar em condições da treta. Aprendi, também, que Portugal não é o pior país do mundo. Aprendi que os portugueses não são os piores do mundo. Nem de longe, nem de perto. 

Quando cheguei a França, vinha cheia de dúvidas. Emigrar nunca tinha feito parte dos meus planos de vida. Sempre achei que ia conseguir "desenrascar-me" em Portugal. E consegui. Mas, rapidamente, dei por mim a chegar ao meu limite e a perceber que "desenrasque" é dificilmente compatível com "viver". Não foi difícil chegar à conclusão de que as coisas não haviam nunca de melhorar, que ia ser sempre aquilo, aquelas condições, por muitos e muitos anos. Portanto, acabei por desistir e emigrei. Nunca pensei que fosse aguentar 2 anos. 1 ano parecia-me uma boa meta e cheguei, mesmo assim, a pensa que não ia conseguir. Mas consegui, um dia de cada vez. E, com jeitinho, ainda chego aos 3. 



28 comentários:

  1. Venham os 3, então. :) E depois que haja ainda mais felicidade, vás tu para onde fores.

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  2. És uma lutadora! Parabéns!
    beijinhos
    http://direitoporlinhastortas-id.blogspot.pt

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  3. Como te compreendo querida. Emigrar é mais difícil do que se pode imaginar mas somos uns felizardos por conseguirmos emigrar e viver. Em Portugal já não era possível.
    Parabéns pelos 2 anos :)

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    1. Obrigada pelas palavras (= tu também estás de parabéns! Venham os próximos anos (=

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  4. Entendo bem o que sentes, viver e sobreviver são coisas bem diferentes... e eu acho que só quando se sai de Portugal é que se entende até que ponto as pessoas são exploradas por lá.
    Que venham os 3 e aproveita bem esta oportunidade. Estás de parabéns! :)

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  5. Parabéns! Que tudo corra sempre da melhor maneira pra ti querida.
    Beijinho grande
    http://themarielement.blogspot.pt/

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  6. Muitos parabéns pela ousadia... arrisca!

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    1. Já dizia o outro... quem não arrisca, não petisca! =P

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  7. Não é fácil, mas é com certeza mais difícil ficar em Portugal e nunca saber o que emigrar pode trazer de bom! Parabéns! Beijinhos

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  8. Sair do lugar de conforto, junto dos nossos não é fácil, mas a tua coragem é de louvar, serão talvez 3 em Troyes e muitos mais noutro lugar. Parabéns, és uma grande mulher :) Beijinho

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    1. Oh, obrigada (= essas palavras significam muito! Beijinhos

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  9. Viver longe de casa é uma das coisas mais dificeis que existe. E é engraçado que quanto mais "velhos" ficamos, mais as saudades aumentam,
    Beijinhos

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    1. É mesmo, tens toda a razão...

      beijinhos

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  10. Não é fácil, parabéns pela força!

    Já conhece meu blog?
    Blog It's Gaby
    Canal no Youtube
    Beijos

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  11. Não deve ser nada fácil! Mas devemos seguir os nossos sonhos!
    Beijinhos

    http://amiudablogger.blogspot.com

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    1. Não, não é fácil. Mas vale a pena.

      beijinhos

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  12. Parabéns pela tua força e resistência!

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  13. é preciso muito coragem vai partir :)

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  14. Admiro a tua coragem, de verdade. Eu penso que não seria capaz. Mas acho que é, sobretudo, pelo meu filho. Não seria capaz de o arrancar da vida que ele tem aqui e, principalmente, de afastá-lo dos meus pais e da minha irmã.

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    1. Eu não tenho filhos... se tivesse, acho que talvez não tivesse saído...

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