sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

La Vie en France #13

Já esta semana tinha aqui escrito que estava doente. Pois que, na minha inocência, eu achava que era só uma constipação. A cada dia que saía da cama a sentir-me como se tivesse passado a noite a ser repetidamente atropelada por um camião, pensava "isto passa". Não passou. 

Não só não passou como foi ficando cada vez pior. Na quarta-feira dei por mim a pensar se ia ser capaz de aguentar trabalhar o dia todo. Aguentei. Aguentei, sobretudo, porque estou sempre a ouvir que os estrangeiros abusam e que querem é vir para cá para não fazer nada e não queria que dissessem isso de mim. Ontem é que, como se costuma dizer, foi o fim da picada. Saí da cama a rastejar, tudo me doía, tinha dormido extremamente mal, não suportava a luz nos olhos e mal me aguentava de pé. Não sei como é que aguentei a caminhada até ao trabalho, ainda por cima com temperaturas negativas. Soube que estava mesmo mal quando cheguei à clínica e, em vez de ouvir "Bonjour!", como todos os dias, ouvi "oh la la!". Estava mais branca que a minha bata, com os olhos vermelhos, o nariz a pingar, mal podia falar e sentia a cabeça a andar à roda... A minha sorte é que a minha médica trabalha na porta em frente ao meu gabinete e me atendeu assim que pôde. Ainda trabalhei de manhã, mas acabei por ter que dizer que realmente não aguentava mais e vim para casa de baixa, onde continuo, enfiada na cama, de onde só saio para três coisas: ir à casa-de-banho, comer ou tomar os medicamentos. 

França tem sido um verdadeiro desafio para mim, a nível de saúde. Eu, que sempre fui uma gaja saudável, desde que aqui cheguei parece que estou constantemente doente. Desta vez, é uma sinusite aguda. Que não precisava de ter chegado a este ponto se eu não tivesse sido teimosa e tivesse ido à médica logo na segunda-feira. Agora estou a antibióticos (que me estão a deixar muito mal do estômago). A cabeça continua a andar à roda mas, lentamente, começo a ter menos dores a respirar melhor. Agora é dar tempo ao tempo e continuar a ligar à minha mãe e à minha avó de cada vez que preciso de mimo. 

Fico revoltada comigo mesma por me ter deixado chegar a este ponto. Ainda por cima, trabalhando na área da saúde... I should have known better. Mas, também sei que foi, em grande parte, por não querer fazer papel de coitadinha, por não querer que pensassem que me estava a fazer de vítima ou a aproveitar-me das circunstâncias, como tantos outros estrangeiros fazem. E, apesar de me estar a sentir um autêntico farrapo, também sinto algum alívio por saber que toda a gente constatou, com os seus próprios olhos, o quão mal eu estava e que precisava mesmo de vir para casa curar-me. É triste, mas às vezes é assim a vida de emigrante. 

E por aí, como está a correr a vossa semana? Melhor que a minha, espero. 

(Reparei agora que esta edição da rubrica "La vie en France" é o número 13. Nem de propósito isto teria corrido tão bem).




29 comentários:

  1. Bem, isso tá agreste! Uma pessoa pensa sempre que é só uma constipaçãozinha e que vai passar, mas não devíamos. Com a saúde não se brinca. As melhoras!! Beijinho*

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  2. "Em casa de ferreiro, espeto de pau..."
    :)
    As melhoras! Descobri o teu blog e gostei muito... Visita o meu!
    Beijinhos,
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  3. Aí Jesus como te percebo...!
    Em 7 anos de trabalho, apenas faltei uma vez (porque tal como tu, cheguei ao limite). "Sabe Deus" como em Angola passei mal no primeiro ano e todos os dias me levantei, e foram meses a fio assim. Talvez por isso tenha emagrecido cerca de 7kg.
    Temos de aprender, e falo assim porque também este conselho se aplica a mim, a tratar de nós, pois ninguém o fará. O nosso maior bem é a saúde. Sem ela não valemos nada....!
    Beijinho
    MR💗
    @sagadaemigracao

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    1. Tens razão! Mas, quanto é que apostas que para a próxima fazemos igual? ;P hehehe

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  4. Abracinho e põe-te boa depressa. Beijinho

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  5. As melhoras rápidas querida!
    beijinhos
    http://direitoporlinhastortas-id.blogspot.pt/

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  6. Epá que a coisa não está fácil :/
    Estive aí em janeiro e também fiquei de forma tal que andei 1 mês e meio para me curar... Credo.

    R: obrigada pelo teu comentário. Sim, a única coisa que me desagrada é realmente estarmos os dois desempregados :/ mesmo a sério. Mas talvez sejamos dos próximos a ir para França :/
    Beijinho

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    1. Bem, espero que isto não demore mês e meio a curar... assim como assim, já lá vai mais de uma semana

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  7. Infelizmente Portugal consegue tratar melhor os emigrantes do que os seus nativos, ao contrário dos outros países que são bem capazes de tratar mal os emigrantes. Mas lembra-te que tu também és importante e que sem saúde não fazes nada, cuida bem de ti, independentemente do que os outros possam dizer ou achar!

    beijinho
    www.blogasbolinhasamarelas.blogspot.pt

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  8. Infelizmente a minha não foi muito melhor mas temos que andar para a frente... muita força para ti *

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  9. As melhoras!

    r: Fico contente por teres gostado :)
    Obrigada*

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    1. Obrigada! Devagarinho, isto vai ao sítio...

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  11. As melhoras rápidas!

    Isabel Sá
    http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

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    1. Não estão a ser rápidas, mas estão a haver melhoras (=

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  12. Em defesa do número 13 digo-te que o adoro :)

    Por vezes deixamos passar, é apena suma constipação e não haverá problemas. A verdade é que por vezes é mais que isso. Desejo-te as melhoras, que fiques boa rápido.

    Bebe chá de limão, gengibre e mel. Beijinho

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    1. Também não tenho nada contra o número 13, só achei curioso =P

      obrigada!

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  13. Para a próxima já sabes, às vezes é melhor faltar um dia e cuidares de ti do que depois teres que faltar uma semana porque te deixaste chegar às ultimas.
    Até porque como se costuma dizer, sem saúde não se consegue nada ;)
    Melhoras.

    http://omeumundoaleatorio.blogspot.pt/

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    1. Não faltei uma semana, só faltei um dia e meio... e devia, efectivamente, ter faltado a semana toda que só me tinha feito bem =P

      obrigada!

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  14. É chato estar doente... estar doente longe da família é ainda mais chato! Mas aprendeste a tua lição, para a próxima cuidas melhor de ti mesma.
    Eu identifico-me muito com o medo de não querer que pensem que sou uma "emigrante daquelas" mas cada vez menos penso assim. Vai sempre haver pessoas com opiniões menos favoráveis, e se não for por causa da nacionalidade arranja-se outro sítio por onde pegar.

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