quinta-feira, 29 de março de 2018

Perguntas de Salto e Respostas de Alto #8

À semelhança da rubrica "Pedaços de fim-de-semana", esta era uma rubrica que já há algum tempo que eu queria ressuscitar, mas a oportunidade não se dava. Pois bem, acabaram-se as desculpas graças à Uma no Cravo, a minha entrevistada para hoje!

Passo a apresentar:


Nasci no início dos anos 90. Numa segunda-feira de Junho na bela capicua - 1991. Os meus pais decidiram chamar-me Ana Judite mas chamam-me sempre Ju. Cresci em Vizela mas quando penso em casa, penso no Porto, porque fui para lá morar aos 16 anos. Fui atrás de um sonho – ser actriz! Estudei Teatro, pisei palcos... mas depois percebi que precisava de outros sonhos, sonhos que jogassem melhor com a minha realidade. E ando desde então atrás deles. À procura do “meu lugar no mundo”. Os requisitos: Criatividade e Comunicação. Daí o decorrer do meu CV... quiçá, daí a criação do meu Blogue. Sou um ser de personalidade vincada (“mulher do norte”), lágrima fácil e sorriso largo.

1 – Há quanto tempo saíste de Portugal?

Saí de Portugal em Junho de 2017.

2 – O que te levou a tomar a decisão de sair?

Já há muito tempo que queria morar fora do país... Sem prazos ou grandes planos, só pela experiência. Na Faculdade não tinha dinheiro para fazer Erasmus e isso só veio atiçar o bichinho. Quando fui morar com o meu namorado percebemos que ele também tinha essa vontade. Estávamos muito inclinados para Dublin, porque podia oferecer coisas boas em termos profissionais aos dois e já íamos com a língua sabida. Mas, um dia, o meu namorado mandou uns CVs (penso que dois ou três) à sorte a e recebeu uma proposta da Suíça. Enquanto fazíamos planos no ar a vida pôs em cima da mesa o "Querem sair, aqui está, e agora?". E não tínhamos como dizer que não.

3 – A saber o que sabes hoje, voltavas a tomar a mesma decisão?

Sim!!! Nunca me arrependi. Ajuda o facto de termos vindo sem pressões. O nosso lema é "ficamos lá enquanto gostarmos de estar lá". Não tem sido fácil, mas tem sido muito recompensador! Estou muito feliz. Não trocava por nada as coisas que já aprendi e as pessoas que já conheci.

4 – Descreve a tua experiência na Suíça em 5 palavras.

Nunca pensei, mas estou aqui. (5 palavras que resumem mesmo tudo).

5 – 3 coisas que trarias de Portugal, se pudesses (coisas, não pessoas)

O mar, o peixe... e a língua (vale?). (Vale, que eu sou boazinha).

6 – Em que é que sentes que a tua vida mudou para melhor e para pior, com a mudança?

É inevitável falar de saudade. Essa palavra tão nossa. Isso é, sem dúvida, o pior! Perder a capacidade de ter um abraço da família e dos amigos quando nos apetece. Essa ausência de toque é muito triste. Mas o melhor é que vim conquistar uma qualidade de vida que nunca me passou pela cabeça ter em Portugal. E isso permite-me viver mais tranquila, sonhar mais alto e desfrutar muito melhor dos dias que passo lá.

7 – Um conselho que darias a ti própria, se pudesses voltar atrás no tempo:

Segue sempre o teu instinto. É certo que não está sempre certo, ainda assim, está certo na maioria das vezes. (Certo!)

8 – Um conselho para a nossa geração (e para as futuras), dentro e fora de Portugal:

Conseguir as coisas à velocidade de um clique – só na Internet! O sucesso requer tempo, persistência e paciência. E é muito importante sermos sempre fiéis a nós próprios para sermos felizes durante toda essa jornada.

9 – O que achas essencial mudar em Portugal?

Eu já nem vou entrar pelas questões políticas, porque isso é um bico de obra. Vou falar daquilo que cada um pode mudar na sua vida sem depender do outro. Essa coisa de fazer tudo a meio gás. “É suficiente, está bom então!”. Somos um povo incrível, cheio de talentos e capacidades. Mas na hora da acção deixamos algumas coisas só pela metade. E outra coisa– deixar de estar sempre a culpar os outros pelas coisas que falham nas nossas vidas. A mudança tem que partir de nós. Ah, e espero que um dia os empregadores comecem a valorizar os seus funcionários (seja em que área for) e percam essa mania do “ninguém é insubstituível”, porque essa frasezinha tem muito que se lhe diga.

10 – Onde te vês daqui a 5 anos? E daqui a 10?

Absolutamente impossível de responder. Eu não sei onde me vejo daqui a um ano! Estou sempre à espera que a vida me surpreenda. Se voltasse a Março de 2017 e dissesse à Ju “olha, daqui a um ano vais estar a morar em Zurique e a falar alemão”, ela ia rir-se muito da minha cara. Mas bem... Espero continuar a ter dias cheios de amor, espero já ter viajado muito por essa altura e espero ter uma carreira que me concretize e me faça feliz. AH! – E espero ter feito uma festa dos 30 anos memorável! :D





E pronto, malta, espero que tenham gostado da entrevista. Podem também segui-la no Instagram (sigam-na, que ela tem imensa piada!) e no Youtube!

11 comentários:

  1. Gostei de ler! A Ju parece muito fixe! 😃 Também sou do norte...

    Gostei particularmente da resposta n° 8!

    Beijinho grande ❣

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  2. Às vezes temos mesmo de fugir para encontrar o nosso destino quando o nosso país não nos oferece as condições de que precisamos. E viva às mulheres do norte :D Adorei a entrevista, gosto sempre desde tipo de publicações!

    https://mywanderingdayss.blogspot.pt/

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    1. Muito obrigada Marisa! É verdade, o mundo está aí para nós :) Um beijinho *

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  3. Que bela entrevista diria mesmo profissional
    Parabéns às duas e muitas Felicidades à entrevistada
    Beijinhos e uma Boa Páscoa

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  4. Que entrevista maravilhosa! Adorei a sua forma de pensar :)

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  5. Não conhecia o blog, vou já espreitar! Beijinhos

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  6. Muito boa a entrevista.
    Que tenha uma excelente Páscoa.
    Beijos.

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