Hoje estou de folga e, uma vez que tenho uma mala para fazer e estou a adiar essa tarefa o mais possível (não é que não esteja com vontade de ir para casa, estou é com preguicite aguda), decidi partilhar convosco alguns ensinamentos básicos, nada de muito científico, só meia dúzia de coisas práticas para quando forem ao dentista.
Apesar de ser uma das profissões com maior taxa de suicídio a nível mundial (true story), em Portugal continuam a sair dentistas das faculdades todos os anos que nem pães quentes. Uma grande parte vai para o desemprego, uma grande parte vai ser escravizado (como eu fui), uma outra parte vai emigrar (como eu acabei por fazer). Mas, como não se consegue fazer as pessoas acreditar que ser dentista em Portugal não vale (de todo) a pena, vou deixar aqui alguns ensinamentos dirigidos aos pacientes, a ver se a coisa pega e se facilitam um bocado a vida aos desgraçados (é favor não ficar ofendido e ver o lado humorístico da coisa).
Ora, aqui vão eles:
- Não comecem a conversa com "Não gosto nada de dentistas!". É meio caminho andado para também não gostarmos de vocês e não vale a pena começar logo com o pé esquerdo.
- Esta é para as senhoras: por favor, não ponham batom. Por favor. Não queremos saber se é a última moda, vai deixar os materiais todos cagados e depois nós é que ouvimos a assistente a queixar-se.
- Não se queixem de que a posição da cadeira é desconfortável, a menos que estejam a pensar pagar-nos uma massagem (se for esse o caso, então estão à vontade). Vocês estarão desconfortáveis durante um período de tempo bastante limitado, já as nossas costas/pescoço/braço/ombro sofrem o dia inteiro.
- Não nos digam "eu tenho muitas cáries, mas é porque é genético, toda a gente na minha família tem muitas cáries!". Simplesmente, porque não. Combinado?
- Quando dizemos "abra bem a boca, por favor", não é preciso arregalarem os olhos ao mesmo tempo que abrem a boca. Se bem que, pensando melhor, podem continuar a fazê-lo. Não deixa de ter a sua piada.
- Não venham para a consulta em jejum, salvo ordens em contrário. A combinação jejum+stress+anestesia não costuma dar bom resultado.
- Não nos cuspam em cima. Engulam, aguentem, façam o que for preciso. Mas não-nos-cuspam-em-cima.
- Não se queixem de que tudo é caro. Não fazem a mínima ideia de quanto um gabinete gasta em esterilização, material, luvas, desinfectantes, etc, etc, etc. E, se acham que ganhamos de mais, vão sempre a tempo de tirar o curso (e depois vão ver que não ganhamos assim tanto. Pelo menos, não em Portugal).
