sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A falar é que a gente se entende

Para quem não sabe, eu faço parte daquele grupo cada vez maior chamado de "trabalhadores independentes". Ou, como eu prefiro chamar, "os desgraçadinhos dos recibos verdes". O recibo verde é uma das maiores maravilhas do mundo, qual Taj Mahal, qual quê. Mas vamos ter tempo para voltar a esta temática muitas vezes no futuro, que isto é assunto sobre o qual se consegue escrever um colecção de 10 volumes, 300 páginas cada um.
Há tempos, dirigi-me à Segurança Social para saber ao certo qual ia passar a ser o valor daquilo que eu terei que pagar todos os meses. Depois de ouvir a senhora a dizer quanto ia passar a pagar, e de um pedacinho da minha alma morrer naquele preciso instante de desgosto, deu-se a seguinte conversa:

Eu: Mas pode só explicar-me porque é que eu tenho que pagar segurança social?
Senhora: Então, mas vocês agora também têm direito a subsídio de desemprego, desde que percam o emprego na empresa para a qual emitem, pelo menos, 80% dos recibos.
Eu: Boa. Mas, então, eu trabalho para um só patrão, um só espaço físico mas ele tem duas empresas associadas a esse mesmo local de trabalho e eu tanto emito recibo para uma empresa como para a outra.
Senhora: Então, não tem direito porque não atinge 80% dos recibos emitidos a uma empresa.
Eu: Mas... mas, se eu perder o emprego perco o emprego na empresa a quem passo 100% dos meus recibos, não tenho culpa que me obriguem a emitir os recibos a duas entidades diferentes.
Senhora: Pois, mas não tem direito a nada.
Eu: Então explique-me outra vez... Porque é que eu tenho que pagar segurança social?????

E, pronto, é isto a minha vida. A nossa vida. O nosso país. Basicamente, eu ando a trabalhar para a segurança social poder sustentar as pessoas que não merecem e a mim, que todos os meses pago a minha parte, vão deixar-me a passar fome se eu perder o emprego. Não era a mesma coisa eu pegar naquele dinheiro todos os meses e enfiá-lo na sanita? Não era MUITO melhor eu poder ficar com aquele dinheiro todos os meses e deixá-lo de lado para a eventualidade de, sei lá, deixar de ter como pagar as minhas contas? Já não chega que nem sequer nos podemos dar ao luxo de ficar doentes? "Está com 40º de temperatura? Tome um ben-u-ron, minha querida, e vá trabalhar porque senão não recebe um cêntimo".

Agora, todos os meses, tenho aqueles dias. Só que aqueles dias passaram a chamar-se "síndrome de pagar a segurança social" e à beira disso, o meu síndrome pré-menstrual é um gatinho amestrado.

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