domingo, 17 de setembro de 2017

Eu, pessoa não romântica me confesso

O meu não-romantismo é coisa que apoquenta muitas boas almas que por aí andam. Não sei é porquê. Eu tenho sentimentos, malta, juro que tenho. Só tenho uma maneira diferente de os demonstrar (que pode passar por, inclusivamente, não os mostrar, mas eles estão aqui, eu juro!).

Posto isto, e depois desta introdução magnífica, hoje venho falar-vos do tema mais romântico que pode haver: casamento. 

Como sabem, nós vamos casar. E então, foi mais-ou-menos isto que se passou: já há muito tempo que falávamos em casamento. É daqueles temas que convém discutir quando se está numa relação que se pretende que seja a longo prazo. Só porque convém saber o que é que a pessoa que está convosco pensa sobre o assunto, para não haverem "surpresas". Nós sempre estivemos de acordo que dar o passo de "assinar o papel" era algo que faria sentido para os dois e, portanto, que iria acontecer, eventualmente. Ora, agora que estamos a viver juntos e que parece que até conseguimos coexistir debaixo do mesmo tecto de maneira harmoniosa, pareceu-nos que podíamos, então, avançar para isso.

"Então e o pedido de casamento?"

Malta, se estão à espera de cenas em público, ou anéis enfiados em sobremesas gourmet (ele que me estragasse um petit-gâteau, que ia ver com quantos paus se fazem uma canoa), de pétalas de rosa e cavalos brancos, duma futura-noiva que finge um ar de pura surpresa quando, na realidade, passou os últimos 6 meses a ameaçar o namorado de morte, se não a pedisse em casamento, então parem de ler. Nós não somos assim. Nada contra quem é, também aprecio um belo dum conto de fadas de vez em quando, mas isso não se encaixa na minha vida. Nem na dele, graças aos santos. Então, o que se passou foi, simplesmente, o meu namorado dizer-me: "Quando formos a Portugal, nas férias, vamos escolher o teu anel de noivado". E, pronto, lá fomos nós. E estava feito. 

"Então e agora o casamento? Quando é? E a festa?"

Pronto, aqui é que as pessoas tendem a ter mais alguma dificuldade em aceitar a nossa vontade. Nós vamos assinar o papel (ainda não há data) e ponto final. Porquê? Por várias razões. Também eu, em criança, vi demasiados filmes da Disney para o meu próprio bem (não sou contra a Disney, calma, aliás, adoro a Disney) e também eu pensava que ia querer, um dia, desfilar numa igreja de vestido branco até aos pés. Depois, cresci. Aprendi que um casamento custa uma pipa de massa, que há malta que até faz empréstimos para os pagar (say whaaat?), aprendi que é só um dia, é só uma festa. Aprendi que 7 em cada 10 casamentos dá divórcio (e que há quem se separe sem ter acabado de pagar o empréstimo da festa - conseguem imaginar o melão com que a pessoa deve ficar?). Claro que ninguém deve casar a achar que se vai separar, nem eu o vou fazer. Mas é uma possibilidade, ainda que muito remota, e tem de se ser muito ingénuo para se achar que não. Ou então sou só eu, que cresci no meio de tantos divórcios e relações familiares complicadas, que fiquei estragada para a vida. Portanto, posto tudo isto, comecei a pensar "será que quero mesmo gastar tanto dinheiro, o dinheiro que ganhei às custas de ter deixado o meu país, num dia de festa? Não, acho que não quero". O meu namorado, claro, ficou feliz da vida, que festa de casamento era coisa que ele não queria, nem por nada. E, depois, claro, há a questão de que para enfiar toda a minha família no mesmo espaço físico, sem que isso acabe em homicídio ou qualquer outro crime de ofensa à integridade física, é necessário todo um planeamento estratégico digno duma invasão militar à Coreia do Norte. E, assim, decidimos que vamos pegar nos milhares e milhares de euros que íamos derreter na festa de casamento para fazermos uma viagem de lua-de-mel de sonho. Assim como me pude dar ao luxo de escolher um anel de noivado que realmente me enchesse as medidas.

Conclusão: eu não era obrigada a vir aqui dar explicações. Assim, como não sou obrigada a dar explicações a ninguém. Mas estou cansada dos revirar de olhos, dos silêncios incómodos, do "tu é que sabes, mas se fosse eu...". Mas não são vocês, pessoas. Sou eu. Eu decidi assim. Eu não sinto que esteja a perder nada de essencial à minha felicidade. Aliás, eu sou tão feliz quanto uma pessoa pode ser, obrigada pela preocupação. Eu não gosto menos do meu namorado, nem tenho menos vontade de passar o resto da vida com ele, só porque não quero uma festa de casamento. E sim, descansem, eu tenho coração e tenho sentimentos. Muitos sentimentos. Mas também tenho a minha maneira de ser. Nunca tentei demover ninguém de ter uma festa de casamento, dá para parar de me tentarem convencer a ter uma? Eu prometo que nenhum de nós está a sentir como se lhe faltasse alguma coisa. E, se algum dia isso acontecer, fazemos uma grande festa e vão estar todos convidados.

20 comentários:

  1. Uma curiosidade, mas vais vestida de noiva, tiras umas fotos giras e fazer uma micro/nano festa só com a familia directa ou simplesmente vão casar como se fosse outro dia qualquer?

    Eu acho que cada um deve fazer aquilo que lhe apetece e lhe parece. Se grandes festas não é convosco então é não fazer e o resto da gente não deve dar opinião.
    Os casais mais apaixonados e extravagantes as vezes é só para ingles ver... dentro de casa a coisa não funciona.
    Umas boas férias a dois é a melhor forma de se comemorar o casamento. Afinal o noivo é o namorado, não primo em 5º lugar mais a família a comer marisco à conta xD

    Pessoalmente, eu não sou nada lamechas, nem muito romântica mas gostava de casar. Acho que gostava que houvesse um joelhito no chão (sem assistência) e de ficar com a lagrimita a cair do olho xD Gostava de me vestir de noiva e ficar com umas fotos giras para mostrar à futura criançada e aos netos (todo o grande marco, para mim, deve ter uma fotografia bonita). Sei lá... criar as memórias. A festa e o dinheiro da festa para mim é para os outros, não para o casal!

    Cada casal é diferente e as pessoas encontram-se! Não conseguia estar com aqueles rapazes dependentes, lamechas e que a vida fosse um romance de livro. Acho super aborrecido e enjoativo mas não é por isso que não sei amar!

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    1. Uma festa pequena só com a minha família directa, acaba mal de certeza! =p Não, vamos só casar como se fosse um dia qualquer. Sou capaz de tirar uma fotografia bonita para mais tarde recordar (; mas sem vestido de noiva hehe

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  2. O nosso foi assim: fomos ao registo civil com os meus pais e a mãe dele, viemos embora e fomos os dois o resto da tarde para a praia. Somos assim e este dia é nosso, não da família. Haja paciência pra festa, eu dispenso! Há melhores sítios para gastar o dinheiro, viajar soa-me muito bem :D

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    1. Nem sabia que tinham casado, parabéns (= e é bom saber que não sou o único ET que passa bem sem a festa de casamento. Viajar parece sempre bem (; só ainda não sabemos onde vamos, mas já temos algumas hipóteses...

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  3. O mais importante mesmo é serem felizes... Assim o desejo.
    Uma boa semana.
    Beijos.

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  4. A vida é vossa, só têm de decidir fazer aquilo que vos faz feliz! O mais importante é estarem feliz um com o outro, o resto são extras minha querida!
    Beijinho, Ana Rita*

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  5. Eu por acaso não pensava em casamentos, mas agora com o meu namorido as coisas mudaram :b Já falamos sobre o assunto será uma coisa que ambos queremos, mas não uma festa de 5 dias.
    Eu compreendo-te em todos os sentidos, porque também sou assim.

    Mas muitas felicidades :b

    Beijinhos,
    Dezassete

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    1. Obrigada (=

      E felicidades para vocês os dois também (=

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  6. ora aqui está uma decisão sem hipocrisia. Vejo cada casamento mais faustosos e nem um ano duram. Não sou contra os casamentos. Tb me casei mas os tempos eram outros. Para os pais era importante esse passo. Fi-lo só com a família mais chegada e mais dúzia de amigos, e não quis vestido de noiva com caudas e afins. Um simples vestido pelo joelho, cor pérola. Parabéns a vocês e que esse passo seja o inicio de uma grande viagem a dois.

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  7. 100% de acordo!
    beijinhos
    https://direitoporlinhastortas-id.blogspot.pt/

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  8. Quando era mais nova, achava que casar era um desperdício de dinheiro e que um papel não ia fazer diferença no amor das pessoas. Agora que cresci, continuo a achar que casamentos são um grande desperdício de dinheiro (na maioria dos casos) e que o amor não precisa do papel para ser real, mas sinto que preciso de casar. Não morrerei se não o fizer alguma vez na vida, mas quero muito casar. É o passo natural de uma relação longa, estável e muito feliz, que quero para sempre. Podíamos simplesmente viver juntos, mas para mim não seria a mesma coisa, pronto. Posto isto, quero casar, mas dispenso as grandes festas.

    Idealmente, faria um casamento civil num sítio bonito com árvores e jardim, com meia dúzia de pessoas muito próximas numa celebração muito intimista. No mundo real não sei se será assim ou não, mas também me imagino a ir ao registo, casar e sair de lá direta para um restaurante comer umas pizzas e beber uns canecos com a minha família e meia dúzia de amigos :) Sou romântica mas também sou muito prática (e poupada). Não me imagino a gastar balúrdios numa festa para os outros.

    A única coisa da qual não abro mão é do pedido e do anel. Mesmo que já tenhamos falado sobre o assunto, estou à espera do pedido, sim :) Acho bonito. É um momento que faço questão de ter e ele sabe isso. Sempre achei que era muito pouco romântico ir escolher o próprio anel, mas percebo que para outras pessoas isso não tenha importância. Eu quero ser surpreendida e não quero escolher anel nenhum, quero que seja ele a decidir essas coisas. Dispenso as grandes cenas românticas, joelho no chão, anéis em sobremesas ou champanhe, multidões a assistir. Gostava que fosse um momento só nosso. Enfim, já estou a divagar. Seja como for que as pessoas queiram dar estes passos na vida (se é que querem), o importante é que tudo seja baseado nos seus desejos e não nos desejos dos outros. Grandes festas só porque os pais querem? Convidar o meio-primo em 5º grau porque parece mal não convidar? Vestidos a preços de carros? Para mim, não, mas se isso faz feliz as outras pessoas, tudo bem. Da mesma forma que está tudo bem não querer nada disso, fazer algo simples como vocês querem ou até nem casar.

    O que importa é que sejam muito felizes!

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    1. O anel eu também queria ahah mas, como com todas as prendas que ele me oferece, fui eu que o escolhi =P eu sei que não é muito romântico, mas ele estava a morrer de medo de que eu não gostasse. E eu também, até porque não ia ter coragem de lhe dizer e ia ficar com ele, mesmo que não gostasse xD portanto, optámos por menos romantismo =P

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  9. Faz todo o sentido o que escreves, e não acho estranho, pelo contrário! E vocês parecem ser muito compatíveis :) Muitas felicidades!

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  10. Eu nunca fiz questão de casar. Aliás, não queria mesmo. Entretanto, pouco tempo depois de entrar na relação que tenho agora, mudei de ideias. E após um ano juntos, tive direito a pedido com anel e joelho no chão :P mas convivia bem com um pedido menos vistoso. Ou sem pedido algum. Também não tenho pressa, porque não quero gastar mt dinheiro numa festa, lá está. Estamos noivos há 3 anos e sem data para casar :) caga para a opinião alheia, dá vontade de os mandar para sítios pouco simpáticos... que mania de querer decidir a vida dos outros.

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    1. É isso mesmo, dá vontade de os mandar a um certo sítio =P

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