É impressão minha ou isto cada vez passa mais depressa? Ainda ontem me estava a mudar para França e agora lá já vão quase 2 anos.
Este ano que agora está a chegar ao fim passou melhor e mais depressa que o anterior. 2014 foi um ano muito turbulento, de grandes mudanças, grandes provas (e grandes superações), muitos medos e muitas emoções em geral. 2015 foi mais calmo. Já tinha a minha rotina, a minha vida mais estabilizada em termos profissionais... Foi um ano duro, mas muito bom. Ainda tenho muitos objectivos a atingir (não são assim tantos, mas vamos fazer de conta que sim, porque isto de ser ambicioso parece que está na moda), muitas viagens para fazer, muitas mudanças que quero trazer para a minha vida. 2016 vai ser isso mesmo: mudança.
2015 trouxe-me muita coisa. Conheci mais sítios novos, tive mais tempo e mais oportunidades para estar com as pessoas de quem gosto e que me fazem tanta falta, consegui superar-me em todos os níveis: desde o campo profissional até às corridas, foi um ano muito positivo. Teve muita coisa má: a minha malfadada mononucleose, o Verão mais quente que tenho memória de ter vivido (foi preciso vir para o Norte de França... e esta, hã?) durante o qual pensei que ia enlouquecer, as saudades, enfim. Mas, apesar de tudo, foi um ano que gostei de viver e que me vai deixar saudades, disso não tenho a menor dúvida.
A poucos meses do fim deste ano recebi uma péssima notícia: a Isabel vai embora de Troyes. Para quem não sabe (mau, mau, não andam atentos), a Isabel é o meu pilar aqui nesta cidade. Melhores amigas desde 2006, foi ela que me ajudou a vir para aqui e foi muito graças a ela que suportei estar aqui. Quando tinha um dia de merda, sabia que lhe podia ligar mal saísse do trabalho. Quando estava triste, sabia que tinha a companhia dela para ir devorar Ben & Jerry's (peanut butter cup, para quem estiver curioso). Quando não me apetecia estar enfiada em casa ao domingo, podíamos ir ao sushi. Quando a preguiça falava mais alto, sabia que ela me ia obrigar a calçar as sapatilhas e a ir correr. E agora, vai embora. Estou muito feliz por ela, porque sei que vai ser uma grande mudança e, tenho a certeza, para melhor. Mas vai fazer-me falta. Tenho a certeza que a amizade não vai mudar, mas vai ser estranho não a ter aqui por perto. Sei que a vou voltar a ver (e muitas vezes), mas também sei que vou chorar baba e ranho quando a vir de malas feitas. Ao mesmo tempo que ela vai embora, as dúvidas instalam-se. Vou aguentar continuar aqui? Espero que sim. Por outro lado, o meu namorado continua em Portugal e estamos a chegar a um ponto em que se impõe uma mudança. Um dos dois vai ter que sair de onde está. Muito provavelmente, vamos ter os dois de sair de onde estamos. Mas para onde? Muito sinceramente, eu vou para o meio da selva, se for preciso, mas não quero voltar para Portugal. Voltar parece-me o derradeiro suicídio profissional. Não quero. Não quero voltar a trabalhar horas infinitas, a recibos verdes, a pagar impostos e segurança social como se andasse a trabalhar só para isso, sem estabilidade, sem férias, sem folgas, sem saber o dia de amanhã... e muito menos quero ser dependente de outra pessoa. Por muito que goste do meu namorado, que gosto, a única pessoa com quem pude contar incondicionalmente a minha vida toda, foi comigo. E não sou capaz de me pôr numa situação em que esteja dependente de alguém, a menos que me veja obrigada a isso.
Estou perdida. Perdida e confusa. Eu sei que alguma coisa vai ter que mudar, e vai ter que ser algures durante os próximos 12 meses. Mas o que é que vai mudar, exactamente?
Acho que quando começar a contagem decrescente, durante os últimos segundos de 2015, vou tapar os ouvidos e fazer como as crianças "la la la la la! Não estou a ouvir nada!".
Sê bem-vindo, 2016. Espero que não sejas tão mau quanto eu estou a antecipar.