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sábado, 9 de janeiro de 2016

"Quando voltar é um erro"

O título está entre aspas porque é uma frase que li algures (mas não me lembro onde) e que fez todo o sentido para mim. 

Quase 2 anos depois de ter emigrado, começo a ouvir muitas vezes coisas como "e porque é que não voltas?", "de certeza que arranjavas qualquer coisa aqui" e, a minha preferida, "o dinheiro não é tudo".

Não, o dinheiro não é tudo. Precisamente por não ser tudo, se eu fizer uma lista de todas as razões pelas quais emigrei, "dinheiro" vai aparecer em último. Felizmente, o que ganhava em Portugal já dava para ser independente e fazer a minha vida, ao contrário do que poderão dizer muitos dos meus colegas, mas precisamente por dinheiro não ser tudo, isso não chegou para me fazer ficar. Eu queria ter um horário de trabalho decente, queria ter fins-de-semana ou umas folgas de vez em quando, queria ter direito a tirar férias (direito que eu tinha, em teoria, mas do qual nunca me foi permitido gozar. Não tive um único dia de férias durante os anos que trabalhei em Portugal). Queria estabilidade. Queria saber o que era poder andar relaxada, sem medo que o meu patrão acordasse mal disposto ou precisasse do meu posto para algum "afilhado" e me mandasse para o olho da rua. Queria saber que, mesmo que fosse para o desemprego, ia ter direito a alguma coisa (que não tinha). Queria mais respeito, também.

E assim decidi fazer as malas e vir embora. Se, no início, ponderei muitas vezes largar tudo e voltar, agora fico contente por não o ter feito. Agora já sei qual é a sensação de ser respeitada no meu local de trabalho. Agora sei o que é ter um horário concebido para meros mortais, como eu, e não para uma qualquer espécie com super poderes que consegue viver a trabalhar incessantemente. Agora tenho férias. Agora faço viagens. Agora tenho (verdadeiramente) estabilidade financeira. Agora sei que voltar para Portugal ia ser o derradeiro suicídio profissional. Não é uma hipótese que esteja completamente posta de parte, mas está adiada. Não quero voltar. Não quero voltar para o país em que só tinha deveres e não tinha direitos. "Mas podias estar com a tua família", também ouço muitas vezes. Nos meus últimos meses a viver em Portugal, não trabalhei na cidade de onde sou e posso dizer que, apesar de estar à distância de 1 hora e meia de carro, a minha família me via menos do que me vê agora que estou em França.

É com alguma surpresa que vejo as pessoas que em tempos me encorajaram a emigrar, a dizerem-me agora que devia voltar. "Porque quem é que te vai ajudar com os filhos?". Errrr... quais filhos? Sabes de alguma coisa que eu não saiba? E quem é que me ia ajudar em Portugal? Os meus pais ainda têm muitos anos de trabalho pela frente e eu não ia ter possibilidades nem tempo para ter filhos. 

Não tenho arrependimentos da minha decisão de vir embora. Foi a melhor coisa que podia ter feito por mim. Não estou a planear ficar aqui para sempre, não sei o que o futuro me reserva, mas sei que o meu futuro próximo não passa por Portugal. Por isso, deixem-me estar tranquila onde estou. Cada um faz as suas escolhas. Há quem escolha ficar e seja feliz (e ainda bem!). Eu escolhi sair. E agora escolho não voltar. Pelo menos, não agora.







quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Ano novo, vida nova

Pois é, tenho andado ausente, mas foi por uma boa razão: estive de férias. Mas, como o que é bom dura pouco, já estou de volta a Troyes e ao trabalho. 

Espero que tenham todos tido muitas prendas, comido muito e que tenham passado uma boa época natalícia na companhia das vossas famílias. Do meu lado, foi tudo tranquilo. 

Estava um bocado pessimista em relação a 2016, como deve dar para perceber pelo meu último post, mas já voltei ao meu estado normal. Já ando outra vez a tentar concentrar-me em 1001 coisas diferentes e consegui pôr o medo de tudo o que vai mudar este ano para trás das costas. Não serve de nada sofrer por antecipação, vou esforçar-me ao máximo por viver um dia de cada vez e stressar o menos possível (duas coisas nas quais não sou nada boa, mas estou motivada!).

Por falar em motivação, quais foram as vossas resoluções para o ano novo? Contem-me tudo.

E para acabar em beleza, e só porque sei que 90% de vocês prometeu a si mesmo que em 2016 ia emagrecer/ser mais saudável, ficam aqui com a foto do chocolate quente com pedaços de caramelo que o meu primo me trouxe de Londres e que eu experimentei pela primeira vez hoje (e agora vou escondê-lo bem longe da vista porque eu também prometi a mim mesma que em 2016 ia ser mais saudável e esta época festiva foi uma pequena catástrofe no que a esse tema diz respeito, mas para falar de ginásio e alimentação saudável vamos ter o resto do ano, por isso aqui fica).


Aquelas coisinhas ali a flutuar são mini marshmallows, que vinham na mistura. Muuuuito bom



quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Resumo de um ano

É impressão minha ou isto cada vez passa mais depressa? Ainda ontem me estava a mudar para França e agora lá já vão quase 2 anos.

Este ano que agora está a chegar ao fim passou melhor e mais depressa que o anterior. 2014 foi um ano muito turbulento, de grandes mudanças, grandes provas (e grandes superações), muitos medos e muitas emoções em geral. 2015 foi mais calmo. Já tinha a minha rotina, a minha vida mais estabilizada em termos profissionais... Foi um ano duro, mas muito bom. Ainda tenho muitos objectivos a atingir (não são assim tantos, mas vamos fazer de conta que sim, porque isto de ser ambicioso parece que está na moda), muitas viagens para fazer, muitas mudanças que quero trazer para a minha vida. 2016 vai ser isso mesmo: mudança. 

2015 trouxe-me muita coisa. Conheci mais sítios novos, tive mais tempo e mais oportunidades para estar com as pessoas de quem gosto e que me fazem tanta falta, consegui superar-me em todos os níveis: desde o campo profissional até às corridas, foi um ano muito positivo. Teve muita coisa má: a minha malfadada mononucleose, o Verão mais quente que tenho memória de ter vivido (foi preciso vir para o Norte de França... e esta, hã?) durante o qual pensei que ia enlouquecer, as saudades, enfim. Mas, apesar de tudo, foi um ano que gostei de viver e que me vai deixar saudades, disso não tenho a menor dúvida. 

A poucos meses do fim deste ano recebi uma péssima notícia: a Isabel vai embora de Troyes. Para quem não sabe (mau, mau, não andam atentos), a Isabel é o meu pilar aqui nesta cidade. Melhores amigas desde 2006, foi ela que me ajudou a vir para aqui e foi muito graças a ela que suportei estar aqui. Quando tinha um dia de merda, sabia que lhe podia ligar mal saísse do trabalho. Quando estava triste, sabia que tinha a companhia dela para ir devorar Ben & Jerry's (peanut butter cup, para quem estiver curioso). Quando não me apetecia estar enfiada em casa ao domingo, podíamos ir ao sushi. Quando a preguiça falava mais alto, sabia que ela me ia obrigar a calçar as sapatilhas e a ir correr. E agora, vai embora. Estou muito feliz por ela, porque sei que vai ser uma grande mudança e, tenho a certeza, para melhor. Mas vai fazer-me falta. Tenho a certeza que a amizade não vai mudar, mas vai ser estranho não a ter aqui por perto. Sei que a vou voltar a ver (e muitas vezes), mas também sei que vou chorar baba e ranho quando a vir de malas feitas. Ao mesmo tempo que ela vai embora, as dúvidas instalam-se. Vou aguentar continuar aqui? Espero que sim. Por outro lado, o meu namorado continua em Portugal e estamos a chegar a um ponto em que se impõe uma mudança. Um dos dois vai ter que sair de onde está. Muito provavelmente, vamos ter os dois de sair de onde estamos. Mas para onde? Muito sinceramente, eu vou para o meio da selva, se for preciso, mas não quero voltar para Portugal. Voltar parece-me o derradeiro suicídio profissional. Não quero. Não quero voltar a trabalhar horas infinitas, a recibos verdes, a pagar impostos e segurança social como se andasse a trabalhar só para isso, sem estabilidade, sem férias, sem folgas, sem saber o dia de amanhã... e muito menos quero ser dependente de outra pessoa. Por muito que goste do meu namorado, que gosto, a única pessoa com quem pude contar incondicionalmente a minha vida toda, foi comigo. E não sou capaz de me pôr numa situação em que esteja dependente de alguém, a menos que me veja obrigada a isso. 

Estou perdida. Perdida e confusa. Eu sei que alguma coisa vai ter que mudar, e vai ter que ser algures durante os próximos 12 meses. Mas o que é que vai mudar, exactamente?

Acho que quando começar a contagem decrescente, durante os últimos segundos de 2015, vou tapar os ouvidos e fazer como as crianças "la la la la la! Não estou a ouvir nada!". 

Sê bem-vindo, 2016. Espero que não sejas tão mau quanto eu estou a antecipar.