Não me interpretem mal: eu adoro a minha vida em França e estou eternamente grata a esta país por me ter recebido e me ter dado condições de vida que o meu próprio país nunca me deu. No entanto, há uma coisa à qual eu não me consigo habituar. Uma pessoa quase que pensa que sim, que já não se incomoda mais com isso, mas não, afinal incomoda-se (e muito).
Sinto que já falei disto imensas vezes aqui, mas o caso é tão dramático, que tenho que o trazer à baila mais uma vez, isto é gira o disco e toca o mesmo: a falta de higiene e o consequente mau cheiro. Porquê, pessoas, porquê? Qual é a necessidade, a sério?
Eu até tentei compreender (não consegui, mas a sério que tentei) que, no pino do verão, esta gente fedesse mais que um par de meias sujas cozinhadas em molho de cebolada e alho. Continuo a achar que um bocado de água e sabão resolvia grande parte do problema e que um desodorizante seria um óptimo investimento para muita gente mas, ao menos tinham a desculpa de que estavam 40º C e uma pessoa passava o dia (e a noite) a destilar suor. Agora, alguém me explique, como é que se consegue cheirar a transpiração de 15 dias em pleno inverno? A sério, por favor, alguém que me elucide. É que eu nem consigo imaginar, com este meu cérebro inocente de pessoa limpa, o que é que será preciso fazer para se cheirar tão mal. E a roupa? Como é que a trazem sempre tão suja? Já cheguei a pensar se França não terá uma espécie de epidemia de casos graves de daltonismo, porque algumas nódoas são tão visíveis que das duas, três: ou não distinguem as cores, ou é alguma espécie de fashion statement (já imagino o título da próxima edição especial de moda da Vogue Paris: Dirty is the new black) ou então são só mesmo muito porcos.
Ainda me lembro de pensar "é mesmo pena não haver um shoping nesta cidade, dava jeito para ir às compras quando está a chover ou frio". No outro dia, entrei nos correios e fez-se luz: não pode existir um shoping. Quanto menos espaços fechados existirem, melhor, porque são um atentado à saúde pública. O pior de tudo são os comboios, onde já chegámos a ver carraças (e já nem me vou dar ao trabalho de falar do metro em Paris, porque para esse acho que a única solução é incinerarem as carruagens e porem tudo novo).
Será que foi só em Portugal que crescemos ao som de frases inspiradoras como "Branco mais branco, não há" ou "O algodão não engana"? A verdade é que saímos de Portugal muito mal habituados. Tão mal habituados que passamos muitas vezes por uns "exagerados" no que diz respeito à higiene, o que não deixa de ser irónico: eles não são porcos, nós é que somos muito limpos. Yeah, right.















