Mostrar mensagens com a etiqueta França. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta França. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 1 de março de 2016

La vie en France #14

Não me interpretem mal: eu adoro a minha vida em França e estou eternamente grata a esta país por me ter recebido e me ter dado condições de vida que o meu próprio país nunca me deu. No entanto, há uma coisa à qual eu não me consigo habituar. Uma pessoa quase que pensa que sim, que já não se incomoda mais com isso, mas não, afinal incomoda-se (e muito).

Sinto que já falei disto imensas vezes aqui, mas o caso é tão dramático, que tenho que o trazer à baila mais uma vez, isto é gira o disco e toca o mesmo: a falta de higiene e o consequente mau cheiro. Porquê, pessoas, porquê? Qual é a necessidade, a sério?

Eu até tentei compreender (não consegui, mas a sério que tentei) que, no pino do verão, esta gente fedesse mais que um par de meias sujas cozinhadas em molho de cebolada e alho. Continuo a achar que um bocado de água e sabão resolvia grande parte do problema e que um desodorizante seria um óptimo investimento para muita gente mas, ao menos tinham a desculpa de que estavam 40º C e uma pessoa passava o dia (e a noite) a destilar suor. Agora, alguém me explique, como é que se consegue cheirar a transpiração de 15 dias em pleno inverno? A sério, por favor, alguém que me elucide. É que eu nem consigo imaginar, com este meu cérebro inocente de pessoa limpa, o que é que será preciso fazer para se cheirar tão mal. E a roupa? Como é que a trazem sempre tão suja? Já cheguei a pensar se França não terá uma espécie de epidemia de casos graves de daltonismo, porque algumas nódoas são tão visíveis que das duas, três: ou não distinguem as cores, ou é alguma espécie de fashion statement (já imagino o título da próxima edição especial de moda da Vogue Paris: Dirty is the new black) ou então são só mesmo muito porcos. 

Ainda me lembro de pensar "é mesmo pena não haver um shoping nesta cidade, dava jeito para ir às compras quando está a chover ou frio". No outro dia, entrei nos correios e fez-se luz: não pode existir um shoping. Quanto menos espaços fechados existirem, melhor, porque são um atentado à saúde pública. O pior de tudo são os comboios, onde já chegámos a ver carraças (e já nem me vou dar ao trabalho de falar do metro em Paris, porque para esse acho que a única solução é incinerarem as carruagens e porem tudo novo).

Será que foi só em Portugal que crescemos ao som de frases inspiradoras como "Branco mais branco, não há" ou "O algodão não engana"? A verdade é que saímos de Portugal muito mal habituados. Tão mal habituados que passamos muitas vezes por uns "exagerados" no que diz respeito à higiene, o que não deixa de ser irónico: eles não são porcos, nós é que somos muito limpos. Yeah, right.



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

La Vie en France #13

Já esta semana tinha aqui escrito que estava doente. Pois que, na minha inocência, eu achava que era só uma constipação. A cada dia que saía da cama a sentir-me como se tivesse passado a noite a ser repetidamente atropelada por um camião, pensava "isto passa". Não passou. 

Não só não passou como foi ficando cada vez pior. Na quarta-feira dei por mim a pensar se ia ser capaz de aguentar trabalhar o dia todo. Aguentei. Aguentei, sobretudo, porque estou sempre a ouvir que os estrangeiros abusam e que querem é vir para cá para não fazer nada e não queria que dissessem isso de mim. Ontem é que, como se costuma dizer, foi o fim da picada. Saí da cama a rastejar, tudo me doía, tinha dormido extremamente mal, não suportava a luz nos olhos e mal me aguentava de pé. Não sei como é que aguentei a caminhada até ao trabalho, ainda por cima com temperaturas negativas. Soube que estava mesmo mal quando cheguei à clínica e, em vez de ouvir "Bonjour!", como todos os dias, ouvi "oh la la!". Estava mais branca que a minha bata, com os olhos vermelhos, o nariz a pingar, mal podia falar e sentia a cabeça a andar à roda... A minha sorte é que a minha médica trabalha na porta em frente ao meu gabinete e me atendeu assim que pôde. Ainda trabalhei de manhã, mas acabei por ter que dizer que realmente não aguentava mais e vim para casa de baixa, onde continuo, enfiada na cama, de onde só saio para três coisas: ir à casa-de-banho, comer ou tomar os medicamentos. 

França tem sido um verdadeiro desafio para mim, a nível de saúde. Eu, que sempre fui uma gaja saudável, desde que aqui cheguei parece que estou constantemente doente. Desta vez, é uma sinusite aguda. Que não precisava de ter chegado a este ponto se eu não tivesse sido teimosa e tivesse ido à médica logo na segunda-feira. Agora estou a antibióticos (que me estão a deixar muito mal do estômago). A cabeça continua a andar à roda mas, lentamente, começo a ter menos dores a respirar melhor. Agora é dar tempo ao tempo e continuar a ligar à minha mãe e à minha avó de cada vez que preciso de mimo. 

Fico revoltada comigo mesma por me ter deixado chegar a este ponto. Ainda por cima, trabalhando na área da saúde... I should have known better. Mas, também sei que foi, em grande parte, por não querer fazer papel de coitadinha, por não querer que pensassem que me estava a fazer de vítima ou a aproveitar-me das circunstâncias, como tantos outros estrangeiros fazem. E, apesar de me estar a sentir um autêntico farrapo, também sinto algum alívio por saber que toda a gente constatou, com os seus próprios olhos, o quão mal eu estava e que precisava mesmo de vir para casa curar-me. É triste, mas às vezes é assim a vida de emigrante. 

E por aí, como está a correr a vossa semana? Melhor que a minha, espero. 

(Reparei agora que esta edição da rubrica "La vie en France" é o número 13. Nem de propósito isto teria corrido tão bem).




quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

La Vie en France #12

Ah, que saudades que tinha desta rubrica. Verdade seja que, ultimamente, tem andado adormecida porque, para meu espanto, não tem havido nenhum episódio caricato, digno de ser partilhado convosco. 

Até ontem.

Já nem se pode dizer que seja caricato porque, como eu costumo dizer, "em França, tudo o que pode correr mal, corre mal" e, assim sendo, caricato é quando algo nos sai bem à primeira. Uma coisa com a qual ainda não tinha tido problemas aqui são as encomendas online. Regra geral, com quanto menos pessoas tiverem que interagir para conseguirem fazer alguma coisa, melhor ela vai correr. Pois que, no passado fim-de-semana fiz uma encomenda no site da My Protein francês, onde já tinha feito encomendas antes, sem problemas, e paguei a entrega ao domicílio. Na terça-feira, recebi um e-mail da empresa transportadora a dizer "recebemos a sua encomenda, que lhe será entregue quarta-feira, 20/01/2016, entre as 8h e as 18h". Adorei o intervalo de horário que me deram, umas meras 10 horas, mas estava de folga, por isso, podia ficar em casa. Além disso, no próprio dia costumam enviar uma sms de manhã a dar um horário de passagem mais preciso.

Na quarta-feira, ontem, acordei cedo (vai que se lembravam de chegar mesmo às 8h da manhã e eu ia ter que descer as escadas de pijama e com as marcas da almofada na cara?), tomei o pequeno-almoço, pus a dar a série "Call the Midwife" e fiquei à espera... continuei à espera... e ainda esperei mais um bocadinho. 

"Bem, se calhar aproveitava e aspirava a casa". Aspirei. E continuei à espera. 

"Hmm, já estou a ficar com fome, vou fazer qualquer coisa para o almoço". E fiz. E almocei. E continuei à espera.

A tarde passou-se, vagarosamente, entre canecas de chá e episódios de "Call the Midwife", com pausas para xixi, que não há bexiga que aguente tanto chá, e nem sinais da minha encomenda. Às 17h30 pensei "filhos da mãe, vão fazer-me esperar mesmo até à última". Só que a "última" chegou e a minha encomenda não. Tentei manter a calma, tanto quanto possível, depois do dia perdido que tinha sido e liguei para a transportadora. 20 minutos com a chamada em espera, para ser atendida por uma imberbe que, depois de eu explicar o meu problema e após ter ido averiguar o que se tinha passado, me diz, descontraidamente:

"Ah sim, a sua encomenda continua aqui connosco. Não faço ideia do que se terá passado. Mas pode passar aqui para a vir buscar, se quiser."

Hmmm... Não, não quero. Para ir aí buscá-la, não tinha feito o pagamento da entrega ao domicílio. 

"Ah, bem, então vamos ter que reprogramar a entrega. Era só para evitar fazê-la perder mais um dia em casa."

Ao que eu respondi que se me faziam "perder mais um dia em casa" se iam arrepender amargamente e ela sugeriu, então, deixarem-me a encomenda no posto de correios mais próximo de minha casa, só "por via das dúvidas" e eu ia levantá-la quando quisesse. Por esta altura, já eu estava a deitar fumo pelas orelhas. Não é o facto de a entrega não ter sido feita, toda a gente erra e podia ter acontecido em qualquer lado. Mas só aqui é que se encontram estas personagens, perfeitamente à vontade com a sua própria incompetência, como se serem maus no seu trabalho fosse um direito que lhes assistisse e gozar com a cara das pessoas uma das suas funções.

Já dizia a minha avó: Deus me dê paciência e um paninho para a embrulhar. 




sábado, 9 de janeiro de 2016

"Quando voltar é um erro"

O título está entre aspas porque é uma frase que li algures (mas não me lembro onde) e que fez todo o sentido para mim. 

Quase 2 anos depois de ter emigrado, começo a ouvir muitas vezes coisas como "e porque é que não voltas?", "de certeza que arranjavas qualquer coisa aqui" e, a minha preferida, "o dinheiro não é tudo".

Não, o dinheiro não é tudo. Precisamente por não ser tudo, se eu fizer uma lista de todas as razões pelas quais emigrei, "dinheiro" vai aparecer em último. Felizmente, o que ganhava em Portugal já dava para ser independente e fazer a minha vida, ao contrário do que poderão dizer muitos dos meus colegas, mas precisamente por dinheiro não ser tudo, isso não chegou para me fazer ficar. Eu queria ter um horário de trabalho decente, queria ter fins-de-semana ou umas folgas de vez em quando, queria ter direito a tirar férias (direito que eu tinha, em teoria, mas do qual nunca me foi permitido gozar. Não tive um único dia de férias durante os anos que trabalhei em Portugal). Queria estabilidade. Queria saber o que era poder andar relaxada, sem medo que o meu patrão acordasse mal disposto ou precisasse do meu posto para algum "afilhado" e me mandasse para o olho da rua. Queria saber que, mesmo que fosse para o desemprego, ia ter direito a alguma coisa (que não tinha). Queria mais respeito, também.

E assim decidi fazer as malas e vir embora. Se, no início, ponderei muitas vezes largar tudo e voltar, agora fico contente por não o ter feito. Agora já sei qual é a sensação de ser respeitada no meu local de trabalho. Agora sei o que é ter um horário concebido para meros mortais, como eu, e não para uma qualquer espécie com super poderes que consegue viver a trabalhar incessantemente. Agora tenho férias. Agora faço viagens. Agora tenho (verdadeiramente) estabilidade financeira. Agora sei que voltar para Portugal ia ser o derradeiro suicídio profissional. Não é uma hipótese que esteja completamente posta de parte, mas está adiada. Não quero voltar. Não quero voltar para o país em que só tinha deveres e não tinha direitos. "Mas podias estar com a tua família", também ouço muitas vezes. Nos meus últimos meses a viver em Portugal, não trabalhei na cidade de onde sou e posso dizer que, apesar de estar à distância de 1 hora e meia de carro, a minha família me via menos do que me vê agora que estou em França.

É com alguma surpresa que vejo as pessoas que em tempos me encorajaram a emigrar, a dizerem-me agora que devia voltar. "Porque quem é que te vai ajudar com os filhos?". Errrr... quais filhos? Sabes de alguma coisa que eu não saiba? E quem é que me ia ajudar em Portugal? Os meus pais ainda têm muitos anos de trabalho pela frente e eu não ia ter possibilidades nem tempo para ter filhos. 

Não tenho arrependimentos da minha decisão de vir embora. Foi a melhor coisa que podia ter feito por mim. Não estou a planear ficar aqui para sempre, não sei o que o futuro me reserva, mas sei que o meu futuro próximo não passa por Portugal. Por isso, deixem-me estar tranquila onde estou. Cada um faz as suas escolhas. Há quem escolha ficar e seja feliz (e ainda bem!). Eu escolhi sair. E agora escolho não voltar. Pelo menos, não agora.







terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Quase de volta a casa e devaneios vários

E quem bate palmas está exausto (clap, clap!), está exausto (clap, clap!), está exaustoooo!

Pois, é isto, gente, estou exausta, daí esta minha introdução espectacular. Gostaram? Óptimo.

Quinta-feira de manhã vou entrar no avião com destino a Portugal e não vejo a hora de aterrar em território lusitano, mas até lá ainda me restam dias muito intensos pela frente. Trabalho, trabalho, trabalho... fazer a mala, fazer as últimas compras de Natal (como chego no dia 24, tenho que levar tudo daqui)... as minhas enxaquecas voltaram a atacar e em grande, só tenho vontade de estar no escuro, de olhos fechados, a sentir o latejar da minha pulsação dentro da cabeça (não porque isso me agrade, mas porque é o que me acontece). Brufen, como eu gosto de ti.

Adiante. 

O meu calendário do advento da Kinder está quase no fim e, a cada chocolate que como, fico mais ansiosa porque é menos um dia que falta para ir embora (e para ser diabética). Estou mesmo com muita vontade de ir para casa. Às vezes dou por mim a pensar que já não sei o que é a minha casa. Que nunca soube. Decididamente, não é Troyes. Não deixo de ver esta cidade como um lugar onde estou de passagem. Uma passagem que já dura há quase dois anos mas, ainda assim, uma passagem. Não sei para onde irei a seguir, mas para Portugal também não vai ser, quase de certeza, porque não há nada lá para mim, exceptuando o bacalhau e as rabanadas que vou enfardar daqui a uns dias. E pão-de-ló. E queijo da serra. Já sinto o colesterol a entupir-me as artérias e ainda nem comecei a comer. Em Janeiro o ginásio cá estará à minha espera! Por agora, o que me espera é o meu país. O meu país que, apesar de em alguns momentos chegar a acreditar no contrário, continua a ser a minha casa. 


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

La vie en France #12

Bem, parece que ultimamente só tenho feito posts sobre este tema, mas a verdade é que é um assunto sobre o qual há sempre alguma coisinha a dizer.

Hoje trago-vos mais um exemplo da boa eficiência francesa, que eu adoro e que me inspira todos os dias da minha vida (só que não).

Aqui em França, quem vive numa casa alugada tem que pagar um imposto de habitação. A cartinha chega pelo correio, com um destacável que se pode assinar e mandar de volta, também, pelo correio, num envelope próprio, que eles também fornecem. Até aqui, tudo parece muito simples. Pois que, eu enviei o meu pagamento e 15 dias depois ainda não tinha sido debitado. Liguei para lá e disseram-me, muito tranquilamente, para ter calma porque com isto dos atentados tinham alargado os prazos. Hoje, uma semana mais tarde, continuam a não ter debitado o dinheiro. Tentei ligar, mas só tive direito a ouvir o atendedor de chamadas automático, pelo que peguei em mim e me dirigi pessoalmente à repartição das finanças. Quando, finalmente, chegou a minha vez de ser atendida, expliquei o meu problema e a funcionária limitou-se a olhar para mim, impávida e serena e a encolher os ombros. Ficámos ali a olhar uma para outra durante uns segundos, em silêncio, durante os quais apenas pestanejámos e, quando eu já me estava a perguntar se ela sofreria de algum tipo de autismo, eis que ela decide falar:

"3 semanas realmente já é algum tempo. Mas espere mais uma semana e, se continuar igual, passa aqui e deixa-nos um cheque."

Ok, até aqui tudo bem. Mas, uma vez que tinha o meu livro de cheques comigo, perguntei se não podia deixar já um cheque e ficar descansada, sendo que a resposta que tive foi mais um encolher de ombros, mais um suspiro e um muito aborrecido "Se você quiser". Sim, eu queria. Eu queria pagar a porcaria dos impostos e não ter que pensar mais no assunto. Passei o cheque e, quando lho dei para a mão, perguntei "Não vão descontar o dinheiro duas vezes, pois não?". Pois que, senhora criatura de Deus sorri e diz (com mais um encolher de ombros, pois claro): "É assim, pelo seu bem, espero que não!". Como assim, espera que não? Se eu deixar aqui o cheque não fica logo registado que está pago? Não anula o outro pagamento que mandei por correio e que anda só-Deus-sabe-onde? "Não". Aparentemente, os computadores e a Internet ainda não chegaram às finanças francesas.

Moral da história: vim embora com o cheque e vou esperar mais uma semana. Sendo que, a julgar pelo discurso de hoje, daqui a uma semana arrisco-me na mesma a pagar duas vezes o mesmo imposto. 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

La vie en france #11

Nos últimos dois dias estive em Paris para um congresso. Não fazia grande questão de ir, mas lá fui meter-me na confusão e tentar aprender alguma coisa de novo.

Foram dois dias muito animados e extremamente cansativos (mas ponham extremamente nisso), acho que preciso de dormir uma semana inteira só para recuperar. 

Foi por estarmos tão cansados ontem ao fim do dia, que decidimos que merecíamos apanhar um táxi para ir do Palácio dos Congressos até à gare. Calhava bem haver uma praça de táxis mesmo perto do palácio, nós estávamos carregados com malas, carteiras e sacos e mais sacos da exposição e lá fomos nós, contentes da vida porque não íamos passar, mais uma vez, pela agonia que é andar no metro de Paris. A coisa começou bem assim que saímos do Palácio: um vendaval com rajadas a 200km/h (estou a exagerar, mas é para perceberem que estava mesmo muito vento), chuva, frio. Nos 40 metros que separavam a porta do Palácio da porta do táxi, deu-se lugar a toda uma epopeia digna duma cena de filme: guarda-chuvas a partir, cachecóis contra a cara, saias pelos ares, qual Marilyn Monroe, qual quê. Lá entramos no táxi. Ufa.

Senhor Taxista arranca. Já sabíamos que íamos perder o comboio das 18h12, mas talvez desse para apanhar o das 18h42. Senhor Taxista diz que vai ser difícil, porque está muito trânsito. Primeira coisa que se deve saber sobre o trânsito em Paris: ninguém respeita ninguém. Segunda coisa que se deve saber sobre o trânsito em Paris: ninguém apita para vos chamar a atenção duma asneira que tenham feito; as pessoas apitam para vos avisarem de que vão fazer uma transgressão e precisam de espaço, do género "arreda-te para onde puderes que está vermelho, mas eu quero andar". Senhor Taxista resolveu que nos ia "comer em molho de cebolada" (expressão muito bem aplicada pela Cláudia) e ganhar uns trocos extra para um café e andou a fazer um passeio turístico pela cidade, em vez de nos levar directos. Como se não bastasse, senhor taxista deve ter obtido a carta de condução na caixa dos Chocapic, pois parecia nunca ter ouvido falar de regras de trânsito. Está vermelho? Não faz mal, é para andar. Ah, mas está verde para os outros carros? Azar, eles que passem por cima. Estão peões a atravessar a rua? Contornem o carro, que se têm perninhas é para andar. A dada altura, senti-me como se estivesse numa cena do "The Walking Dead", quando uma multidão de gente que queria atravessar a rua avança furiosamente em direcção ao táxi que, por sua vez, quase conseguia atropelar dois ou três. Foi aqui que a Cláudia decidiu fechar a janela, pois mais valia aguentar os 27 graus que estavam dentro do carro do que levar um banano dum transeunte enraivecido. 

Finalmente, começámos a aproximar-nos da gare. Senhor Taxista passa mais um semáforo vermelho. Desta feita, foi embater numa mota, atirando a dita cujo e o respectivo condutor ao chão. Senhor Taxista nem pestaneja. Depois do dia épico que estávamos a ter, eu vi o homem a cair e pensei "está morto" e tirei o cinto de segurança, a preparar-me para sair do carro, assim como outro dos meus colegas. Senhor Taxista lá pensou que seria boa ideia sair do carro e ir avaliar os estragos. Não houveram estragos. O homem estava bem e de saúde, sem nada partido. Senhor Taxista atirou as culpas para o autocarro que estava quieto e sossegado sem estorvar ninguém.

Chegámos à gare. Perdemos o comboio das 18h42, mas pudemos ir ao Starbucks beber um Gingerbread latte e começar a recuperar de toda esta emoção.


Gingerbread latte. Aconselho vivamente.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Pedaços de fim-de-semana #8

Sabe-me sempre bem recordar o fim-de-semana. 

Esta semana sabe-me ainda melhor, porque devia estar de folga terça e quarta e, na realidade, vou estar no congresso. Como se o congresso já não fosse suficientemente cansativo, foi por esta altura que, há um ano atrás, me roubaram a carteira no metro de Paris. Vamos pensar positivo: este ano há tanta polícia em Paris, que não me parece que os carteiristas consigam ter muita sorte. Vamos pensar negativo: há tanta polícia porque anda gente à solta que gosta de se explodir. Adiante.

Neste fim-de-semana, o frio chegou em força. As temperaturas negativas voltaram e eu já não vivo sem o aquecimento ligado. Toda uma tristeza. É o pior desta cidade: ou está muito frio, ou muito calor, ou muita chuva, ou muito vento, ou uma combinação de múltiplas destas variantes. No sábado, a única coisa que fiz, além de trabalhar de manhã, foi ir ao supermercado e, a seguir, enfiei-me em casa.



Almoço: massa com salmão, camarão, molho de coco e lima

Chazinho para aquecer depois das compras

Chá e bolachas de arroz com chocolate negro

Sábado sentia-me exausta, por isso tentei deitar-me cedo. No entanto, as estrelas não deviam estar alinhadas a meu favor (nem do meu sono) porque foi uma noite de insónia terrível, que resultou numa dor de cabeça gigantesca no domingo de manhã. Qual a melhor maneira de curar uma dor de cabeça ao domingo de manhã que uma caneca de leite com chocolate? Um brufen, poderão vocês dizer. E se não disserem, digo eu, até porque foi o que tomei. Mas, também houve espaço para o leitinho com chocolate, que tomei já de regresso à cama, com a minha série.

Nesquik, aka o meu melhor amigo para manhãs miseráveis

Estou a gostar muito desta série

Ao almoço, tive a companhia da Mariana, o que me obrigou a vestir qualquer coisa que não fosse o pijama e o roupão (mas pude guardar as pantufas!)

Coisas fofas

A nossa quiche. Tão boa que ficou!

Depois de almoço, ainda começámos a ver um filme. Quase que adormeci, mas entretanto decidimos sair e ir ao café, para aproveitar os raios de sol (enganadores, porque estava um frio de gelar).



Look de domingo
Quando voltei para casa, depois duma chávena de chocolate quente (que me soube pela vida), já estava com energia suficiente para fazer o meu treino (que tenho de fazer 5 vezes por semana). A seguir pude tomar o meu banho e voltar para o conforto do meu pijaminha.


A melhor máscara de cabelo que experimentei nos últimos tempos

E pronto, assim se passou mais um fim-de-semana: na preguiça total.


E o vosso fim-de-semana, como foi? Alguma coisa de excitante? Contem-me tudo (=




quarta-feira, 18 de novembro de 2015

La vie en France #10

Aqui por França os ânimos têm andado muito exaltados, e não é para menos. A cada dia que passa há mais uma novidade que é, geralmente, má.
Não me vou pôr aqui a divagar sobre os direitos humanos nem sobre a discriminação. Também não me vou pôr com discursos (aparentemente) moralistas, como tenho lido muitos ultimamente, sobre o facto de nos preocuparmos mais com as vidas dos franceses do que com as vidas dos sírios, porque isso é ridículo. Uma vida humana é uma vida humana, tanto me faz se é dum português, dum francês, dum sírio ou do que quer que seja. Agora, a partir do momento em que eu vivo em França, parece-me óbvio que os atentados aqui me preocupam mais que os atentados na Síria. Não é discriminação, é instinto de sobrevivência. 

Se me perguntarem se me parece um autêntico abuso que a Europa (não só a França) tenha, durante anos e anos, mantido as suas portas abertas a quem quisesse vir para aqui viver, trabalhar (ou viver da segurança social, como imensos fazem) e agora seja este o agradecimento, a resposta é que sim, é um abuso. Não são todos iguais, obviamente, mas a verdade é que até os mais pacíficos não se esforçam por se integrarem e parece que estão sempre de pé atrás e revoltados com a cultura ocidental. Na maioria das vezes, não são os muçulmanos que são discriminados: são eles que discriminam. E de que maneira.

Também não sou contra a vinda dos refugiados para a Europa. São pessoas numa situação trágica, que precisam de ajuda. Agora, que o facto de os recebermos nos possa estar a pôr em perigo chega até a ser ridículo.

Assim como são completamente ridículas as falhas abismais de segurança que continuam a haver em França. Ontem à tarde fui para Paris, tínhamos bilhetes para subir à Torre Eiffel, o que não foi possível, uma vez que estava fechada, mas decidimos na mesma aproveitar a reserva do hotel e passear. Não posso dizer que tenha tido medo, porque estaria a mentir. Mas também não dá para se estar 100% à vontade. Há sempre a pergunta "E se?". Porque, verdade seja, em termos de controlo de segurança, quase nada mudou. Em qualquer loja onde se queira entrar, há um segurança à porta a verificar sacos e carteiras. Mas, hoje de manhã apanhei o comboio e o controlo para estas situações continua a ser zero, o que não deixa de ser desconcertante. Explodir com a secção de frescos do supermercado, alto lá, que não pode ser, mas porque não fazer o isso com o comboio intercidades? Ridículo. 

O meu namorado volta hoje para Portugal. Chegou bem ao aeroporto, apesar de toda a confusão que se instalou em Paris esta manhã. Antes de embarcar, mandou-me uma mensagem a dizer que o deixaram entrar no avião sem quererem verificar o cartão de cidadão. Ah, claro, perfeitamente normal. França só foi vítima de vários atentados mortais este ano. França só está em estado de emergência. É perfeitamente normal deixarem entrar pessoas num avião sem verificarem a identificação. Lá controlar as dimensões das malas de cabine, isso sim, é que é realmente importante.


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Shopping in Paris

Há já muito tempo que eu e a Isabel andamos a falar duma ida a Paris para fazermos umas compras. Aqui por Troyes temos lojas, mas não são muitas nem muito grandes, portanto, a oferta torna-se bastante limitada. 

Falávamos sobre isso e adiávamos e... hoje foi o dia. Apanhámos o comboio de manhã e lá fomos nós para a capital. Passámos um dia que me soube pela vida. 

Não morro de amores por Paris, muito menos pelo metro. Chego sempre a casa com a impressão de que preciso de um banho em lixívia e de me esfregar com palha de aço para conseguir tirar toda a sujidade que se entranhou em mim. Mas pronto. Tenho que admitir que, mesmo assim, é uma cidade bonita (se conseguirmos fazer o grande esforço de ignorar a sujidade) e com lojas fixes por todo o lado.

It's been a while since me and Isabel have been talking about a trip to Paris to go shopping... Here in Troyes we do have some stores, but they are not many and the offer is quite limited.
So today was the day. We hopped on a train early in the morning and we went straight to the capital.
I don't really love Paris, especially the subway. I always come home feeling that I need to take a bleach bath to be able to clean myself. But even I have to admit it's a beautiful city (if you can overlook all the dirt) with cool stores in every corner.


O resultado final


Camisolas de Promod

Mala da New Look

Cachecol da New Look

Botins e gola da Pimkie

Casaco da Mango (há algum tempo que o tinha debaixo de olho)

Bath bombs da Lush, verniz castanho da New Look e verniz dourado e creme de mãos de baunilha e especiarias da Yves Rocher



segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Pedaços de fim de semana #7

Este fim de semana foi toda uma roda viva.

Sexta à noite chegou a nova portuguesa (bem-vinda!!!), portanto, tive direito a jantar com ela e com os pais (coisa soft que estávamos todos cansados, eu de trabalhar e eles da viagem). Acho que ela se vai dar bem por aqui e, aos poucos, a nossa família portuguesa está a crescer!

Sábado foi dia de ginásio, compras (depois publico fotos) e de festejar o Halloween, que é como quem diz ir para casa da Isabel, comer tostas mistas e cupcakes (que ela e a Cláudia fizeram, sob a minha supervisão, óbvio) e adormecer 15 minutos depois de ter começado o filme (que nem sequer era de terror). Somos umas meninas. Antes de meia-noite já estava de pijama, a roncar em vale de lençóis.

E pronto, falta falar de domingo, o dia do almoço oficial de boas-vindas à Mariana, a nossa nova residente, onde me fartei de comer coisas boas. A melhor de todas? O bolo que me fizeram (mais uma vez, as chefes de serviço foram a Cláudia e a Isabel) para festejar os meus anos (receita aqui) que, além de ser óptimo, estava lindo. Obrigada a todos os que participaram, no bolo e na minha prenda! Sou uma sortuda, a verdade é essa.

Ficam as fotos.


Cupcakes

O bolo de anos mais fofinho da história dos bolos de anos

Fiquei apaixonada pelo meu bolo

Look de domingo
O filme escolhido para sábado à noite. Não sei se é bom ou mau, porque se, ao todo, tiver visto 30 minutos é muito

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Coisas que (só) por aqui se passam

Não tenho tido grande coisa sobre a qual vos escrever porque, ao contrário da política nacional, a minha vida não tem tido nada de excitante nem de emoções fortes. 

Excepção feita para o meu encontro de ontem de manhã com uma criatura cinzenta, rastejante e de várias patas que estava, confortavelmente, instalada na minha mesa de jantar. Não costumo matar estes bichos, não por uma qualquer razão moralista, mas porque me metem um nojo tremendo. É físico. Mas ontem teve que ser, um bicho a rastejar em cima da minha mesa é bem mais do que aquilo com que estou disposta a viver. Reuni toda a coragem que me foi possível (às 7 da manhã uma pessoa ainda não está com as suas capacidades em pleno, felizmente), disse uma mão cheia de palavrões (que isto duma pessoa ter que se enervar quando ainda nem conseguiu abrir os olhos não está com nada) e passei à acção. 

Eu sei, eu sei que é tudo extremamente simples, é só pegar num papelinho e tratar do assunto duma vez, livrando-me, de seguida, dos restos mortais da minha vítima com uma descarga de autoclismo. Mas não, comigo nunca é assim tão simples. Só a ideia de ter que me aproximar duma coisa daquelas é suficiente para me deixar nauseada (física e literalmente nauseada). Portanto, armei-me o melhor que pude: saquei duma colher de pau velha, enrolei toalhas de papel à volta da colher e, pensava eu, isto ia ser o suficiente para me livrar do meu visitante indesejado num instante.

Pois, só que não. 

O estupor do bicho mal sentiu a minha presença ameaçadora, de colher de pau em riste, largou a correr (rastejar? Não sei, mas era rápido com'ó catano) em S's por cima da mesa e assim passámos uns bons 5 minutos: ele a correr pela sua vida e eu a bater desenfreadamente com a colher de pau na mesa, o que resultou naquilo que imagino que tenha sido um despertar extremamente agradável para o meu vizinho do andar de baixo (desculpe lá qualquer coisinha, sim?). Agora que tento visualizar a cena, deve ter sido qualquer coisa digna de se ver e, por isso mesmo, ainda bem que não há testemunhas.

Conclusão da história: fiquei sem colher de pau, que a pobre não resistiu a tanta pancada e partiu-se em dois. O bicho, consegui apanhá-lo e que descanse em paz, o estupor, que me fez perder uns bons anos de vida (a mim e, com certeza, ao meu vizinho).

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

De malas feitas (mais uma vez!)

Tenho andado numa fase relativamente positiva ("relativamente" porque há sempre espaço para algum mau feitio, sobretudo de manhã. Acordar às 6h30 não é natural e não me venham cá com merdas de que faz bem à saúde acordar com as galinhas). 

Esta minha boa disposição deve-se a muitas coisas, nem sei muito bem a quê, talvez seja só o meu estado de espírito do momento. Mas uma coisa que, definitivamente, ajudou (e muito!) foi o facto de, depois de semanas (meses?) em negociações eu ter conseguido que me mudassem o horário. Agora, uma vez por mês vou ter um fim-de-semana prolongado, de sábado a terça-feira, inclusive, o que me vai permitir ir a Portugal muito mais vezes. Parecendo que não, isto tirou-me uma tonelada de cima dos ombros. Por muito que a minha vida aqui seja confortável, é muito difícil estar 3 ou 4 meses sem ir a casa, como cheguei a estar. Eu sei que há quem esteja até mais tempo, por opção ou por falta dela, mas eu senti que isso me estava a fazer mesmo mal, sobretudo porque vivo numa cidade em que, excepção feita aos meus amigos portugueses, as pessoas são extremamente desagradáveis (elas próprias estão conscientes desse facto e até o comentam). 

Realmente, a minha vida mudou imenso com a minha vinda para França. Apesar de todas as coisas más, onde é que em Portugal eu ia conseguir estar a trabalhar a tempo inteiro e ter folgas (sim, folgas no plural) em dias úteis? E, ainda por cima, ter um superior minimamente consciente e sensível aos problemas das pessoas, que fizesse os possíveis e impossíveis para me dar 4 dias de folga seguidos por mês só para eu ir a casa? Acho que se vivesse no Algarve não ia ter tantas oportunidades (nem dinheiro) para ir ao Porto como vou estando a viver noutro país. E isso faz-me sentir que emigrar foi mesmo a decisão certa.

Desta feita, hoje foi dia de começar a fazer a mala, pois sexta à noite rumo a Paris, onde vou passar a noite, e sábado de manhã tenho o meu voo para Portugal, o qual aguardo ansiosamente. 

Até já, Porto!

terça-feira, 13 de outubro de 2015

La vie en France #9

França é um dos destinos mais populares no que toca a emigrantes portugueses. A malta acha que por aqui é que se está bem, ensaca as tralhas e faz-se ao caminho, confiante de que vai para um país evoluído e civilizado.

É aqui que cometemos o nosso primeiro erro. 

De facto, por aqui até se está bem, e só Deus saberá porquê, pois eficiência e organização não são coisas que abundem por estes lados. No entanto, desenganem-se se acham que vêm viver no meio de pessoas educadas e competentes. Lá educadas até são, toda a gente diz "bom dia", "por favor" e "obrigada". Agora se se espetarem ao comprido no meio da rua e fizerem uma fractura exposta, azarinho o vosso que ninguém vai parar para vos ajudar.

França é o país em que até a coisa mais simples que queiram fazer pode revelar-se um autêntico desafio, a partir do momento em que precisem de interagir com alguém para a fazer.

Este domingo, foi a vez de me passar com a funcionária dum prestigiado estabelecimento que vende pizzas, cujo nome vou revelar porque não tenho nenhum problema contra o estabelecimento, que é a Pizza Hut, e sim contra a estúpida que me atendeu o telefone. Pois que, depois de uma semana a comer erva e a ir ao ginásio 6 dias, achei que no domingo ia encomendar uma pizza para o almoço. Peguei no telefone, liguei e passou-se o seguinte:

Eu: Bom dia, queria encomendar uma pizza, por favor.
Estrunfina: Bom dia. Qual é a morada?
Eu: Rua X, nº Y, em Troyes.
Estrunfina: Essa morada não me aparece no computador, não vamos poder fazer a entrega.
Eu: Como assim não fazem a entrega, se ainda há uns meses eu fiz uma encomenda e me vieram entregar a essa mesma morada que eu acabei de lhe dar?
Estrunfina: Não sei, mas não vai ser possível.
Eu: Tem a certeza que escreveu bem a morada? 
Estrunfina: Claro que tenho a certeza, já tentei com maiúsculas, com minúsculas, com acentos, sem acentos. Olhe, até já deixei cair a pizza da senhora que está à minha frente.
(Pequeno aparte: a pizza caiu, mas de certeza que lha vendeu na mesma, que por aqui higiene é  uma coisa bastante subvalorizada)
Eu: Mas isso é impossível, eu moro mesmo no centro da cidade. Se vocês não fazem entregas para o centro da cidade, fazem entregas para onde, então? Não pode tentar outra vez?
Estrunfina: Olhe, não posso fazer nada. Se calhar isto até é uma chamada de teste para controlar o nosso trabalho, mas não vamos poder fazer a entrega.
Eu: Se isto fosse uma chamada para controlar o vosso trabalho, seria mais uma razão para me fazerem a entrega.
Estrunfina: Não, não vamos fazer a entrega.

E pronto, assim se passou. Um restaurante que deve ficar a cerca de 20min a pé de minha casa e que me diz que não podem fazer entregas de mota. Fui ao site, fiz a encomenda pela internet (a minha rua apareceu logo e é por isto que eu digo que tudo corre bem aqui, desde que não se interaja com ninguém) e a entrega demorou quase 1 hora a ser feita. Tenho a certeza que quando ela viu a encomenda a entrar nos cuspiu na pizza e que por isso é que demorou tanto. 

Mudando completamente de assunto, mas mantendo-me no tópico dos franceses a serem franceses, também gostava de deixar aqui um grande bem haja ao senhor que no sábado ao fim da manhã estava a insultar uma ambulância por ir com as sirenes ligadas, que não tinha jeito nenhum irem a fazer barulho. Era de quem lhe pregasse dois pares de estalos naquela cara que o deixassem a precisar, também, duma ambulância, a ver se aí não ia querer que ela fizesse barulho.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Virar a página

 Olá!

Bem, isto anda difícil por estes lados, a inspiração para escrever não tem sido muita. Há alturas assim, em que está tudo simplesmente bem (ou mal) e achamos que não temos nada para dizer ao mundo. Hoje, resolvi que ia aproveitar a folga (a única desta semana... *snif*) e escrever. Não sei o que vai sair daqui, acho que vou limitar-me a divagar e só espero não vos aborrecer demasiado.


Já há ligeiramente mais de quatro anos que deixei de ser estudante. No entanto, Setembro continua a ser, para mim, o início dum novo ano (eu sei que estamos em Outubro, mas não sejam picuinhas, está bem?). Ainda por cima, coincide com o meu aniversário e isso é, efectivamente, o fim de mais um ano e o início do seguinte (palmas para mim pela conclusão brilhante). 

Resolvi que estava, portanto, em boa altura de fazer um ponto da situação. 

Os meus 26 anos foram passados em França. Já vivia cá quando os atingi e por cá continuo agora que acabaram. Apesar de tudo o que isso possa ter de difícil e de triste, acho que foi um ano muito positivo. Foi um ano que marcou uma grande mudança a nível profissional, com o ritmo de trabalho a aumentar (se calhar agora até está demais, mas pronto, não nos vamos queixar porque a conta bancária agradece), em que consegui melhorar e estabilizar a minha situação financeira e em que praticamente tudo se desenrolou tranquilamente. Fiz algumas viagens (Praga, Londres, Bruxelas, Paris e Madeira) das quais guardo muito boas recordações e sinto que não sou a mesma pessoa que era há um ano atrás, sinto-me mais de bem com a vida.

Nem tudo foi um mar de rosas, no entanto. Comecei o ano com uma mononucleose que me deixou KO durante meses, com vontade de me enrolar no chão a um canto e morrer (quanto mais não fosse de auto-comiseração). Apesar de estar doente e de me sentir constantemente exausta, continuei a ir trabalhar (até porque só ao fim de sensivelmente 3 meses depois de ter ficado doente, é que tive direito a um diagnóstico), às vezes com muito esforço para arrastar os pés, às vezes depois de ter passado uma noite acordada a vomitar e às vezes com a sensação de ter sido atropelada por um camião. Podia ter metido baixa? Podia. E devia. Mas só pensava na confusão que ia ser para a clínica se eu não aparecesse. Maldito amor à camisola. Lá para Maio vi-me, finalmente, livre deste problema. Mas, mesmo saudável, todos os dias continuaram a ser uma batalha emocional entre o que tenho aqui e o que deixei para trás. 

No final de contas, pesando tudo o que foi bom e tudo o que foi mau, a conclusão a que chego é que foi um ano muito positivo. Reflectir (não, ainda não aderi ao novo acordo ortográfico) em tudo isto resultou que ando numa fase muito boa, cheia de motivação para mais um ano e que espero que seja só tão bom como o que passou. Não preciso que seja melhor. Só igual.




Troyes. Ainda era uma recém-chegada quando tirei esta foto.

Hmmm... não me estou a lembrar de onde tirei tirado esta foto. Talvez Torre Eiffel, em Paris?

Não, não estou a segurar um balão vermelho.

Praga by night.

Eu, em Praga, feliz da vida.


Londres seria a cidade perfeita, se não tivesse um clima de merda porcaria.

O Big Ben, tão fofinho.

Bruxelas. A cidade com mais gauffres e chocolates por metro quadrado.

Fui feliz em Bruxelas (e não voltei diabética porque foram só três dias).

Madeira!


Porto Santo! Quero muito voltar!

E mais Madeira (=

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Perguntas de salto e respostas de alto #2

E cá está de volta a rubrica mais espectacular de sempre!

Para quem anda a dormir e não sabe do que se trata, nesta rubrica faço uma entrevista (uma coisa ligeirinha, que para dramas já cada um tem a sua vida) a um(a) emigrante. Eu pergunto e eles respondem (parece-me que é assim o procedimento normal para uma entrevista) e depois eu partilho convosco.

Desta feita, para a segunda edição da rubrica, decidi entrevistar a Cláudia. E quem é a Cláudia, perguntam vocês? A Cláudia é um dos membros do nosso grupinho aqui de França, um membro espectacular, que está a viver em Chaumont e que faz uns bolos de comer e chorar por mais. Por isso mesmo é que eu, que me interesso tanto por cozinha como por pesca desportiva (que é NADA, se estiverem com dúvidas), passo a vida a mandar-lhe os mais variados links com receitas fantásticas, assim a ver se a coisa pega (entre ela e a Isabel, costuma pegar. Sou uma pessoa cheia de sorte, quando elas se chatearem e me mandarem a mim cozinhar é que vai ser pior, mas pronto). Vamos então à entrevista? 

'Bora lá, malta!

1 - Há quanto tempo saíste de Portugal:

Há um ano e dois meses. (Fui verificar aos arquivos e confere.)

2 - O que te levou a tomar a decisão de sair:

A falta de respeito que as entidades patronais e respectivas assistentes têm perante os médicos dentistas, o facto de ter de pedir para receber o que é meu por direito, ou seja, a falta de boas oportunidades. (Falta de respeito por parte das entidades patronais? Falta de boas oportunidades? Internem esta mulher, que ela está louca! Onde é que já se viu alguma dessas coisas acontecer em Portugal? Pff, esta gente gosta é de falar mal.)

3 - A saber o que sabes hoje, voltavas a tomar a mesma decisão?

Sim, sem pensar duas vezes. Mas, definitivamente, tomava-a mais cedo.

4 - Descreve a tua experiência em França em 5 palavras:

Cinco palavras? Não és pobre a pedir, não. (Já sabes como é, eu tenho horror a pobre.) Ora: realização, aprendizagem, superação, adaptação, amadurecimento! (Ponto de exclamação!)

5 - 3 coisas (coisas, não pessoas) que trarias de Portugal, se pudesses:

A minha casa, o parque nascente e o ginásio. Os meus cães não são pessoas, mas também não são coisas, contam? (Não, não contam, lamento. Só contam objectos inanimados, senão vocês faziam-me listas intermináveis.)

6 - Em que é que sentes que a tua vida mudou, para melhor e para pior, com a mudança para França?

Para melhor foi, definitivamente, por ter alcançado a minha independência financeira e, com isso, a possibilidade de realizar alguns sonhos, ser respeitada no meu local de trabalho e ser justamente remunerada. Para pior, mudou por estar longe dos que mais amo, mas o longe se faz perto e o skype é uma grande ajuda para encurtar a distância. (Muito bem, esse é que é o espírito!)

7 - Um conselho que darias a ti própria, se pudesses voltar atrás no tempo:

Diria a mim mesma para não me sujeitar a tanta coisa como me sujeitei. (Leram bem, malta dos recibos verdes, dos estágios profissionais e de tantas outras situações laborais de sonho?)

8 - Um conselho para a nossa geração (e para as futuras) dentro e fora de Portugal:

Lutem pelo que querem, sem passarem por cima de ninguém (sempre a manter o nível, muito bem), seja dentro ou fora de Portugal. E sejam felizes.

9 - O que achas essencial mudar em Portugal?

A atitude das pessoas, que têm que começar a lutar pelo que querem e precisam. Acho que isso seria um bom começo.

10 - Onde te vês daqui a 5 anos? E daqui a 10?

Gostava muito de já estar em Portugal, perto dos que gosto e realizada profissionalmente. Não sei se será possível mas, se quiseres, daqui a 5 ou 10 anos volto a responder-te a mais umas perguntas. (Está marcado!)


Cá está a nossa Cláudia. Fez batota e mandou-me uma foto em Paris, mas vamos fazer de conta que é Chaumont.


E pronto, pessoas, está acabada a edição de hoje da rubrica Perguntas de Salto e Respostas de Alto. Espero que tenham gostado. Podem sempre enviar sugestões de perguntas por email ou nos comentários, aos quais eu prometo que estou sempre atenta, e lembro que podem também fazer like na página de facebook do blog.