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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

... and everything nice

Acho que este blog estava a precisar duma onde de boa disposição (assim como eu).

A verdade é que o fim de semana que passou teve tanto de dramático como de bom. O meu namorado esteve cá e, uma vez que temos mesmo pouco tempo para estarmos juntos, tentamos sempre aproveitar o melhor possível. Sábado foi o dia em que ele chegou e foi um dia demasiado longo e cansativo. Estávamos em Paris, na Gare de l'Est à espera do comboio, quando a polícia começou a fechar a gare por suspeitar dum carro que estava estacionado à porta. Acabou por não ser nada, o comboio atrasou-se imenso, acabou por ser suprimido e chegámos a Troyes mesmo muito tarde. Foi um dia terrível mas, pelo menos, foi um dia que já passámos juntos.

Domingo estávamos já de volta à tranquilidade de Troyes e começámos, finalmente, a relaxar. Fomos almoçar com a Isabel e a Mariana e de tarde viemos para casa, ver filmes antigos do 007, dormir a sesta e comer coisas boas. Tempos de stress pedem doses extra de açúcar. 




Éclair de praliné, pain au chocolat e chá de pêra e chocolate


Para segunda não tínhamos planos. Acordámos tarde, fomos almoçar paninis ao café em frente à minha casa e passámos uma tarde nas compras. Comprei o guia para a nossa viagem de Dezembro (guardo um guia e um íman de frigorífico por cada viagem que faço, paranóias minhas) e fui à Yves Rocher perder-me na colecção deles de Natal. 



Gel de banho de baunilha e especiarias e gel de banho de laranja confitada e canela. Perfeitos.


Para o jantar, fiz gnocchi com salsichas, molho de tomate e parmesão. E comemos um balde (mini balde, vá) de mousse de chocolate.



"A incrível mousse de chocolate de leite". Muito boa.


O meu namorado fez anos no fim de Outubro (32!) e, como prenda, tinha-lhe comprado bilhetes para subirmos à Torre Eiffel. Segunda-feira tínhamos visto que tinha sido reaberta ao público e ficámos todos contentes. Terça lá nos metemos outra vez num comboio com destino a Paris.



Look para a viagem

Os brincos mais lindos do mundo, que o meu namorado me deu nos anos e que ainda não tinha mostrado.


Chegámos a Paris e fomos directamente para o hotel. Era um hotel bastante bom, com uma das camas mais confortáveis em que alguma vez dormi. A decoração era um bocadinho sóbria demais, mas gostei muito na mesma.



Casa de banho

Quarto

E mais quarto

Depois de almoço, apanhámos o metro. Destino: Torre Eiffel. Surpresa, surpresa: estava fechada. Estava fechada e não havia sequer uma porcaria dum guichet aberto para uma pessoa pedir informações. Nada. Acabou por ser um segurança a falar comigo e a dizer para eu ir ao site pedir o reembolso dos bilhetes. Fiquei mesmo triste, a prenda de anos para o meu namorado, na qual tinha pensado com tanto carinho, puf, por água abaixo.


Tivemos mesmo que ficar pelo piso térreo =P

Não nos quisemos dar por vencidos e, portanto, fomos pregar para outra freguesia: as Galerias Lafayette. 




Capuccino e chocolate quente no Trocadéro

Decoração de Natal das galerias Lafayette

O tecto das galerias. Lindo.

Uma das montras, com figuras do Star Wars feitas de Lego



Et voilá, ainda fomos espreitar a Ópera de Paris antes do jantar. E, à noite, os Campos Elísios e o Arco do Triunfo.




Ópera
Arco do Triunfo e eu, com dores nos pés de tanto andar

Quarta foi o dia da despedida. Eu voltei para Troyes e ele para Portugal. É sempre um dia bastante triste mas, apesar da distância, nunca passamos mais de 4 semanas sem nos vermos. O que já é bastante, mas podia ser pior. 

Já voltei ao trabalho e à minha rotina. Estou bastante cansada depois destes dias. Foi por isso que achei que hoje era um bom dia para dar uso à bath bomb da Lush (Shoot for the Stars) que comprei na minha ida às compras a Paris e fiquei tão rendida que decidi partilhar esta informação inútil convosco. Nunca tinha usado nada da Lush e posso afirmar que estou fã.

A minha bath bomb Shoot for the Stars

Pormenor da água "in the making"

O resultado final: uma banheira de água azul escura cheia de pontos brilhantes, tal como um céu estrelado (e com um cheirinho fantástico)






quarta-feira, 18 de novembro de 2015

La vie en France #10

Aqui por França os ânimos têm andado muito exaltados, e não é para menos. A cada dia que passa há mais uma novidade que é, geralmente, má.
Não me vou pôr aqui a divagar sobre os direitos humanos nem sobre a discriminação. Também não me vou pôr com discursos (aparentemente) moralistas, como tenho lido muitos ultimamente, sobre o facto de nos preocuparmos mais com as vidas dos franceses do que com as vidas dos sírios, porque isso é ridículo. Uma vida humana é uma vida humana, tanto me faz se é dum português, dum francês, dum sírio ou do que quer que seja. Agora, a partir do momento em que eu vivo em França, parece-me óbvio que os atentados aqui me preocupam mais que os atentados na Síria. Não é discriminação, é instinto de sobrevivência. 

Se me perguntarem se me parece um autêntico abuso que a Europa (não só a França) tenha, durante anos e anos, mantido as suas portas abertas a quem quisesse vir para aqui viver, trabalhar (ou viver da segurança social, como imensos fazem) e agora seja este o agradecimento, a resposta é que sim, é um abuso. Não são todos iguais, obviamente, mas a verdade é que até os mais pacíficos não se esforçam por se integrarem e parece que estão sempre de pé atrás e revoltados com a cultura ocidental. Na maioria das vezes, não são os muçulmanos que são discriminados: são eles que discriminam. E de que maneira.

Também não sou contra a vinda dos refugiados para a Europa. São pessoas numa situação trágica, que precisam de ajuda. Agora, que o facto de os recebermos nos possa estar a pôr em perigo chega até a ser ridículo.

Assim como são completamente ridículas as falhas abismais de segurança que continuam a haver em França. Ontem à tarde fui para Paris, tínhamos bilhetes para subir à Torre Eiffel, o que não foi possível, uma vez que estava fechada, mas decidimos na mesma aproveitar a reserva do hotel e passear. Não posso dizer que tenha tido medo, porque estaria a mentir. Mas também não dá para se estar 100% à vontade. Há sempre a pergunta "E se?". Porque, verdade seja, em termos de controlo de segurança, quase nada mudou. Em qualquer loja onde se queira entrar, há um segurança à porta a verificar sacos e carteiras. Mas, hoje de manhã apanhei o comboio e o controlo para estas situações continua a ser zero, o que não deixa de ser desconcertante. Explodir com a secção de frescos do supermercado, alto lá, que não pode ser, mas porque não fazer o isso com o comboio intercidades? Ridículo. 

O meu namorado volta hoje para Portugal. Chegou bem ao aeroporto, apesar de toda a confusão que se instalou em Paris esta manhã. Antes de embarcar, mandou-me uma mensagem a dizer que o deixaram entrar no avião sem quererem verificar o cartão de cidadão. Ah, claro, perfeitamente normal. França só foi vítima de vários atentados mortais este ano. França só está em estado de emergência. É perfeitamente normal deixarem entrar pessoas num avião sem verificarem a identificação. Lá controlar as dimensões das malas de cabine, isso sim, é que é realmente importante.


domingo, 15 de novembro de 2015

#Pray for Paris

Este fim-de-semana está a ser cheio de emoções fortes aqui por estes lados.

Sexta-feira 13, como já toda a gente sabe, Paris foi alvo de (mais) atentados. Foi uma noite de terror, que tirou o sono a muita gente, eu incluída. Não estava em Paris, mas o meu namorado chegava sábado de manhã e tínhamos combinado que nos encontrávamos lá. Além disso, tinha vários amigos em Paris e uma pessoa pensa logo no pior. Felizmente, toda a gente que eu conheço está bem.

Sábado de manhã lá fui para Paris. Confesso que estava à espera do caos, mas não, tendo em conta os acontecimentos da noite anterior posso dizer que estava tudo bastante normal. O meu namorado chegou bem ao aeroporto e à noite já estávamos de volta à segurança de Troyes. Claro que o dia foi absolutamente horrível e cheio de emoções fortes, ainda deu para apanhar um grande susto na gare, mas estamos bem.

É chocante pensar que uma coisa destas aconteceu aqui ao lado. Aqui ao lado, numa cidade onde passo bastante do meu tempo. Onde vou às compras, onde vou passear, onde passo de cada vez que quero ir para Portugal e onde vou, brevemente, a um congresso. É impossível não ter medo. Mas é mesmo isso que aquela gente quer, querem aterrorizar, deixando um rasto de caos e destruição. E conseguiram. 

É ainda mais chocante ver que atentado após atentado, pouco muda. Não há mais segurança, não há mais controlo, não há mais nada. 2015 está a ser um ano negro para França, palco de vários atentados e de uma tentativa de mais um que, não fossem pelos americanos que salvaram o dia, teria sido mais um massacre. Espero que não sejam precisos mais cadáveres para os franceses (e a Europa) perceberem que é preciso mudar, é preciso tomarem medidas. Não defendo a discriminação, mas também não podemos continuar a compactuar e a facilitar estes banhos de sangue. 

França está de luto. A Europa também. As pessoas estão com medo. E eu só pergunto... quantos dias como este ainda nos esperam? Quanta mais gente vai ter de morrer? Liberté, égalité, fraternité... até quando?