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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

La vie en france #11

Nos últimos dois dias estive em Paris para um congresso. Não fazia grande questão de ir, mas lá fui meter-me na confusão e tentar aprender alguma coisa de novo.

Foram dois dias muito animados e extremamente cansativos (mas ponham extremamente nisso), acho que preciso de dormir uma semana inteira só para recuperar. 

Foi por estarmos tão cansados ontem ao fim do dia, que decidimos que merecíamos apanhar um táxi para ir do Palácio dos Congressos até à gare. Calhava bem haver uma praça de táxis mesmo perto do palácio, nós estávamos carregados com malas, carteiras e sacos e mais sacos da exposição e lá fomos nós, contentes da vida porque não íamos passar, mais uma vez, pela agonia que é andar no metro de Paris. A coisa começou bem assim que saímos do Palácio: um vendaval com rajadas a 200km/h (estou a exagerar, mas é para perceberem que estava mesmo muito vento), chuva, frio. Nos 40 metros que separavam a porta do Palácio da porta do táxi, deu-se lugar a toda uma epopeia digna duma cena de filme: guarda-chuvas a partir, cachecóis contra a cara, saias pelos ares, qual Marilyn Monroe, qual quê. Lá entramos no táxi. Ufa.

Senhor Taxista arranca. Já sabíamos que íamos perder o comboio das 18h12, mas talvez desse para apanhar o das 18h42. Senhor Taxista diz que vai ser difícil, porque está muito trânsito. Primeira coisa que se deve saber sobre o trânsito em Paris: ninguém respeita ninguém. Segunda coisa que se deve saber sobre o trânsito em Paris: ninguém apita para vos chamar a atenção duma asneira que tenham feito; as pessoas apitam para vos avisarem de que vão fazer uma transgressão e precisam de espaço, do género "arreda-te para onde puderes que está vermelho, mas eu quero andar". Senhor Taxista resolveu que nos ia "comer em molho de cebolada" (expressão muito bem aplicada pela Cláudia) e ganhar uns trocos extra para um café e andou a fazer um passeio turístico pela cidade, em vez de nos levar directos. Como se não bastasse, senhor taxista deve ter obtido a carta de condução na caixa dos Chocapic, pois parecia nunca ter ouvido falar de regras de trânsito. Está vermelho? Não faz mal, é para andar. Ah, mas está verde para os outros carros? Azar, eles que passem por cima. Estão peões a atravessar a rua? Contornem o carro, que se têm perninhas é para andar. A dada altura, senti-me como se estivesse numa cena do "The Walking Dead", quando uma multidão de gente que queria atravessar a rua avança furiosamente em direcção ao táxi que, por sua vez, quase conseguia atropelar dois ou três. Foi aqui que a Cláudia decidiu fechar a janela, pois mais valia aguentar os 27 graus que estavam dentro do carro do que levar um banano dum transeunte enraivecido. 

Finalmente, começámos a aproximar-nos da gare. Senhor Taxista passa mais um semáforo vermelho. Desta feita, foi embater numa mota, atirando a dita cujo e o respectivo condutor ao chão. Senhor Taxista nem pestaneja. Depois do dia épico que estávamos a ter, eu vi o homem a cair e pensei "está morto" e tirei o cinto de segurança, a preparar-me para sair do carro, assim como outro dos meus colegas. Senhor Taxista lá pensou que seria boa ideia sair do carro e ir avaliar os estragos. Não houveram estragos. O homem estava bem e de saúde, sem nada partido. Senhor Taxista atirou as culpas para o autocarro que estava quieto e sossegado sem estorvar ninguém.

Chegámos à gare. Perdemos o comboio das 18h42, mas pudemos ir ao Starbucks beber um Gingerbread latte e começar a recuperar de toda esta emoção.


Gingerbread latte. Aconselho vivamente.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

... and everything nice

Acho que este blog estava a precisar duma onde de boa disposição (assim como eu).

A verdade é que o fim de semana que passou teve tanto de dramático como de bom. O meu namorado esteve cá e, uma vez que temos mesmo pouco tempo para estarmos juntos, tentamos sempre aproveitar o melhor possível. Sábado foi o dia em que ele chegou e foi um dia demasiado longo e cansativo. Estávamos em Paris, na Gare de l'Est à espera do comboio, quando a polícia começou a fechar a gare por suspeitar dum carro que estava estacionado à porta. Acabou por não ser nada, o comboio atrasou-se imenso, acabou por ser suprimido e chegámos a Troyes mesmo muito tarde. Foi um dia terrível mas, pelo menos, foi um dia que já passámos juntos.

Domingo estávamos já de volta à tranquilidade de Troyes e começámos, finalmente, a relaxar. Fomos almoçar com a Isabel e a Mariana e de tarde viemos para casa, ver filmes antigos do 007, dormir a sesta e comer coisas boas. Tempos de stress pedem doses extra de açúcar. 




Éclair de praliné, pain au chocolat e chá de pêra e chocolate


Para segunda não tínhamos planos. Acordámos tarde, fomos almoçar paninis ao café em frente à minha casa e passámos uma tarde nas compras. Comprei o guia para a nossa viagem de Dezembro (guardo um guia e um íman de frigorífico por cada viagem que faço, paranóias minhas) e fui à Yves Rocher perder-me na colecção deles de Natal. 



Gel de banho de baunilha e especiarias e gel de banho de laranja confitada e canela. Perfeitos.


Para o jantar, fiz gnocchi com salsichas, molho de tomate e parmesão. E comemos um balde (mini balde, vá) de mousse de chocolate.



"A incrível mousse de chocolate de leite". Muito boa.


O meu namorado fez anos no fim de Outubro (32!) e, como prenda, tinha-lhe comprado bilhetes para subirmos à Torre Eiffel. Segunda-feira tínhamos visto que tinha sido reaberta ao público e ficámos todos contentes. Terça lá nos metemos outra vez num comboio com destino a Paris.



Look para a viagem

Os brincos mais lindos do mundo, que o meu namorado me deu nos anos e que ainda não tinha mostrado.


Chegámos a Paris e fomos directamente para o hotel. Era um hotel bastante bom, com uma das camas mais confortáveis em que alguma vez dormi. A decoração era um bocadinho sóbria demais, mas gostei muito na mesma.



Casa de banho

Quarto

E mais quarto

Depois de almoço, apanhámos o metro. Destino: Torre Eiffel. Surpresa, surpresa: estava fechada. Estava fechada e não havia sequer uma porcaria dum guichet aberto para uma pessoa pedir informações. Nada. Acabou por ser um segurança a falar comigo e a dizer para eu ir ao site pedir o reembolso dos bilhetes. Fiquei mesmo triste, a prenda de anos para o meu namorado, na qual tinha pensado com tanto carinho, puf, por água abaixo.


Tivemos mesmo que ficar pelo piso térreo =P

Não nos quisemos dar por vencidos e, portanto, fomos pregar para outra freguesia: as Galerias Lafayette. 




Capuccino e chocolate quente no Trocadéro

Decoração de Natal das galerias Lafayette

O tecto das galerias. Lindo.

Uma das montras, com figuras do Star Wars feitas de Lego



Et voilá, ainda fomos espreitar a Ópera de Paris antes do jantar. E, à noite, os Campos Elísios e o Arco do Triunfo.




Ópera
Arco do Triunfo e eu, com dores nos pés de tanto andar

Quarta foi o dia da despedida. Eu voltei para Troyes e ele para Portugal. É sempre um dia bastante triste mas, apesar da distância, nunca passamos mais de 4 semanas sem nos vermos. O que já é bastante, mas podia ser pior. 

Já voltei ao trabalho e à minha rotina. Estou bastante cansada depois destes dias. Foi por isso que achei que hoje era um bom dia para dar uso à bath bomb da Lush (Shoot for the Stars) que comprei na minha ida às compras a Paris e fiquei tão rendida que decidi partilhar esta informação inútil convosco. Nunca tinha usado nada da Lush e posso afirmar que estou fã.

A minha bath bomb Shoot for the Stars

Pormenor da água "in the making"

O resultado final: uma banheira de água azul escura cheia de pontos brilhantes, tal como um céu estrelado (e com um cheirinho fantástico)






quarta-feira, 18 de novembro de 2015

La vie en France #10

Aqui por França os ânimos têm andado muito exaltados, e não é para menos. A cada dia que passa há mais uma novidade que é, geralmente, má.
Não me vou pôr aqui a divagar sobre os direitos humanos nem sobre a discriminação. Também não me vou pôr com discursos (aparentemente) moralistas, como tenho lido muitos ultimamente, sobre o facto de nos preocuparmos mais com as vidas dos franceses do que com as vidas dos sírios, porque isso é ridículo. Uma vida humana é uma vida humana, tanto me faz se é dum português, dum francês, dum sírio ou do que quer que seja. Agora, a partir do momento em que eu vivo em França, parece-me óbvio que os atentados aqui me preocupam mais que os atentados na Síria. Não é discriminação, é instinto de sobrevivência. 

Se me perguntarem se me parece um autêntico abuso que a Europa (não só a França) tenha, durante anos e anos, mantido as suas portas abertas a quem quisesse vir para aqui viver, trabalhar (ou viver da segurança social, como imensos fazem) e agora seja este o agradecimento, a resposta é que sim, é um abuso. Não são todos iguais, obviamente, mas a verdade é que até os mais pacíficos não se esforçam por se integrarem e parece que estão sempre de pé atrás e revoltados com a cultura ocidental. Na maioria das vezes, não são os muçulmanos que são discriminados: são eles que discriminam. E de que maneira.

Também não sou contra a vinda dos refugiados para a Europa. São pessoas numa situação trágica, que precisam de ajuda. Agora, que o facto de os recebermos nos possa estar a pôr em perigo chega até a ser ridículo.

Assim como são completamente ridículas as falhas abismais de segurança que continuam a haver em França. Ontem à tarde fui para Paris, tínhamos bilhetes para subir à Torre Eiffel, o que não foi possível, uma vez que estava fechada, mas decidimos na mesma aproveitar a reserva do hotel e passear. Não posso dizer que tenha tido medo, porque estaria a mentir. Mas também não dá para se estar 100% à vontade. Há sempre a pergunta "E se?". Porque, verdade seja, em termos de controlo de segurança, quase nada mudou. Em qualquer loja onde se queira entrar, há um segurança à porta a verificar sacos e carteiras. Mas, hoje de manhã apanhei o comboio e o controlo para estas situações continua a ser zero, o que não deixa de ser desconcertante. Explodir com a secção de frescos do supermercado, alto lá, que não pode ser, mas porque não fazer o isso com o comboio intercidades? Ridículo. 

O meu namorado volta hoje para Portugal. Chegou bem ao aeroporto, apesar de toda a confusão que se instalou em Paris esta manhã. Antes de embarcar, mandou-me uma mensagem a dizer que o deixaram entrar no avião sem quererem verificar o cartão de cidadão. Ah, claro, perfeitamente normal. França só foi vítima de vários atentados mortais este ano. França só está em estado de emergência. É perfeitamente normal deixarem entrar pessoas num avião sem verificarem a identificação. Lá controlar as dimensões das malas de cabine, isso sim, é que é realmente importante.


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Shopping in Paris

Há já muito tempo que eu e a Isabel andamos a falar duma ida a Paris para fazermos umas compras. Aqui por Troyes temos lojas, mas não são muitas nem muito grandes, portanto, a oferta torna-se bastante limitada. 

Falávamos sobre isso e adiávamos e... hoje foi o dia. Apanhámos o comboio de manhã e lá fomos nós para a capital. Passámos um dia que me soube pela vida. 

Não morro de amores por Paris, muito menos pelo metro. Chego sempre a casa com a impressão de que preciso de um banho em lixívia e de me esfregar com palha de aço para conseguir tirar toda a sujidade que se entranhou em mim. Mas pronto. Tenho que admitir que, mesmo assim, é uma cidade bonita (se conseguirmos fazer o grande esforço de ignorar a sujidade) e com lojas fixes por todo o lado.

It's been a while since me and Isabel have been talking about a trip to Paris to go shopping... Here in Troyes we do have some stores, but they are not many and the offer is quite limited.
So today was the day. We hopped on a train early in the morning and we went straight to the capital.
I don't really love Paris, especially the subway. I always come home feeling that I need to take a bleach bath to be able to clean myself. But even I have to admit it's a beautiful city (if you can overlook all the dirt) with cool stores in every corner.


O resultado final


Camisolas de Promod

Mala da New Look

Cachecol da New Look

Botins e gola da Pimkie

Casaco da Mango (há algum tempo que o tinha debaixo de olho)

Bath bombs da Lush, verniz castanho da New Look e verniz dourado e creme de mãos de baunilha e especiarias da Yves Rocher



quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Virar a página

 Olá!

Bem, isto anda difícil por estes lados, a inspiração para escrever não tem sido muita. Há alturas assim, em que está tudo simplesmente bem (ou mal) e achamos que não temos nada para dizer ao mundo. Hoje, resolvi que ia aproveitar a folga (a única desta semana... *snif*) e escrever. Não sei o que vai sair daqui, acho que vou limitar-me a divagar e só espero não vos aborrecer demasiado.


Já há ligeiramente mais de quatro anos que deixei de ser estudante. No entanto, Setembro continua a ser, para mim, o início dum novo ano (eu sei que estamos em Outubro, mas não sejam picuinhas, está bem?). Ainda por cima, coincide com o meu aniversário e isso é, efectivamente, o fim de mais um ano e o início do seguinte (palmas para mim pela conclusão brilhante). 

Resolvi que estava, portanto, em boa altura de fazer um ponto da situação. 

Os meus 26 anos foram passados em França. Já vivia cá quando os atingi e por cá continuo agora que acabaram. Apesar de tudo o que isso possa ter de difícil e de triste, acho que foi um ano muito positivo. Foi um ano que marcou uma grande mudança a nível profissional, com o ritmo de trabalho a aumentar (se calhar agora até está demais, mas pronto, não nos vamos queixar porque a conta bancária agradece), em que consegui melhorar e estabilizar a minha situação financeira e em que praticamente tudo se desenrolou tranquilamente. Fiz algumas viagens (Praga, Londres, Bruxelas, Paris e Madeira) das quais guardo muito boas recordações e sinto que não sou a mesma pessoa que era há um ano atrás, sinto-me mais de bem com a vida.

Nem tudo foi um mar de rosas, no entanto. Comecei o ano com uma mononucleose que me deixou KO durante meses, com vontade de me enrolar no chão a um canto e morrer (quanto mais não fosse de auto-comiseração). Apesar de estar doente e de me sentir constantemente exausta, continuei a ir trabalhar (até porque só ao fim de sensivelmente 3 meses depois de ter ficado doente, é que tive direito a um diagnóstico), às vezes com muito esforço para arrastar os pés, às vezes depois de ter passado uma noite acordada a vomitar e às vezes com a sensação de ter sido atropelada por um camião. Podia ter metido baixa? Podia. E devia. Mas só pensava na confusão que ia ser para a clínica se eu não aparecesse. Maldito amor à camisola. Lá para Maio vi-me, finalmente, livre deste problema. Mas, mesmo saudável, todos os dias continuaram a ser uma batalha emocional entre o que tenho aqui e o que deixei para trás. 

No final de contas, pesando tudo o que foi bom e tudo o que foi mau, a conclusão a que chego é que foi um ano muito positivo. Reflectir (não, ainda não aderi ao novo acordo ortográfico) em tudo isto resultou que ando numa fase muito boa, cheia de motivação para mais um ano e que espero que seja só tão bom como o que passou. Não preciso que seja melhor. Só igual.




Troyes. Ainda era uma recém-chegada quando tirei esta foto.

Hmmm... não me estou a lembrar de onde tirei tirado esta foto. Talvez Torre Eiffel, em Paris?

Não, não estou a segurar um balão vermelho.

Praga by night.

Eu, em Praga, feliz da vida.


Londres seria a cidade perfeita, se não tivesse um clima de merda porcaria.

O Big Ben, tão fofinho.

Bruxelas. A cidade com mais gauffres e chocolates por metro quadrado.

Fui feliz em Bruxelas (e não voltei diabética porque foram só três dias).

Madeira!


Porto Santo! Quero muito voltar!

E mais Madeira (=

terça-feira, 15 de setembro de 2015

La vie en France #8

Hoje vamos falar de coisas sérias. De coisas sérias que se passam pelo mundo fora, não só em França, mas este episódio fantástico, infelizmente, passou-se aqui e em pleno século XXI.

Ontem à noite, estava eu descansada da vida no sofá, depois dum dia de trabalho e duma corrida ao final da tarde que me soube pela vida, quando passa na televisão uma notícia sobre duas feministas que interromperam uma conferência muçulmana que estava a decorrer em Paris. A notícia foi acompanhada de filmagens que registaram o momento e lá aparecem as duas em topless, muito revoltadas e a interromperem a dita cuja da conferência, onde o tema da discussão era "bater ou não nas mulheres". PÁRA TUDO. 

Fiquei tão doente com esta notícia que quase que se me dava uma coisinha má, meus senhores. Já toda a gente sabe que a violência contra as mulheres existe e que, obviamente, não são só os muçulmanos que a praticam. Agora, que eu saiba. essa mesma violência é crime. Pelo menos, aqui em França (e em Portugal também, assim como em muitos outros países, mas vamos manter-nos dentro do tópico). A minha pergunta é: como é que é possível que se faça uma conferência para debater se se deve ou não praticar um crime? Mas anda toda a gente parva ou quê? Quais vão ser os tópicos das próximas conferências? Assim de repente, ocorrem-me alguns temas engraçados:

  • Deixar ou não deixar os idosos morrerem à fome
  • Violar ou não violar crianças e adolescentes
  • Matar para roubar ou roubar sem matar

Enfim, há todo um rol de possibilidades extremamente interessantes e pedagógicas. E, já agora, em vez da pastinha de qualidade dúbia com os folhetos publicitários, o bloco de notas e a esferográfica que normalmente se oferecem nas conferências, sugiro que ofereçam um rolo da massa e uma chibata, que se é para bater, ao menos que o façam em grande. Ah, pensando bem, o rolo da massa é capaz de não ser boa ideia, não é muito másculo.

Este mundo entristece-me. E revolta-me. 

Ainda no domingo tinha estado à conversa com amigas e das 5 que estávamos presentes, todas tínhamos pelo menos um episódio na nossa vida em que tínhamos tido medo de alguém, sempre um homem, que nos fez sentir medo simplesmente por sermos mulheres e termo-nos cruzado com ele no dia errado à hora errada. Um episódio? Só eu, de repente, consigo lembrar-me de vários. Claro que, felizmente, nunca chegou a acontecer nada a nenhuma de nós (já outras não têm a mesma sorte), mas continua a ser horrível uma pessoa sujeitar-se aos comentários e aos avanços e às perseguições só porque nascemos como seres do sexo feminino. E, como nós, todas as mulheres por esse mundo fora hão-de ter uma história para contar, muitas delas sem final feliz. As nossas mães (a minha quando era mais nova enfiou um estalo a um parvalhão na paragem de autocarro, só por causa das coisas), as nossas amigas, as nossas conhecidas. E penso que um dia as minhas irmãs também vão passar pelo mesmo. Quem sabe, um dia, se não terei filhas e elas também passarão pelo mesmo, porque é inevitável, porque o mundo em que vivemos é assim, e sofro por antecipação. Felizmente, vivemos numa sociedade que ainda consegue ser minimamente civilizada (às vezes são níveis mesmo muito mínimos), mas há quem não tenha a mesma sorte. Há quem seja atacada com ácido por recusar um pedido de casamento, há mutilações genitais, há espancamentos e violações que não são puníveis pela lei. Tudo castigos pelo crime de ser mulher.

E pronto, a conclusão da notícia de ontem foi, como seria de esperar, as duas raparigas atiradas ao chão e a serem pontapeadas por alguns dos homens que lá estavam. Parabéns, meus senhores, uma salva de palmas à vossa mediocridade.

domingo, 31 de maio de 2015

La vie en France #4

Muitas saudades do meu crepe de chocolate e banana, que comi no fim de semana passado em Paris. 




P.S. - Na manhã a seguir acordámos cedo para ir correr e derreter pelo menos metade desta bomba calórica.

sábado, 23 de maio de 2015

Woohoo

Se no sábado passado eu estava no meu melhor modo zen, hoje estou no meu melhor modo nem-sei-bem-o-quê-mas-definitivamente-não-é-nada-zen
Tudo começou com uma manhã de trabalho infernal com, essencialmente, muito trabalho, coisas que não funcionavam e uma assistente que também não sei para o que lhe deu hoje, mas que não foi para trabalhar, isso é certo. Mas, pronto, já acabou, passado é passado (mesmo que tenha sido há coisa dumas horas) e agora é fim-de-semana! Prolongado, ainda por cima, porque segunda é feriado. 
Ora, eu e a Isabelinha tínhamos duas opções: ficar a pastar em Troyes, esta nossa bela, porém, pequena e extremamente aborrecida cidade, ou ir para algum lado onde não esteja tudo fechado e morto aos domingos e feriados. Portanto, juntá-mo-nos a mais três compatriotas e vamos para Paris, que esta vida não pode ser só trabalho. E nós também merecemos descanso, passeio, compras, festa e sol (ouviste, S. Pedro? Não estamos lá muito contentes contigo nesse aspecto, vamos ter que ter uma conversa muito séria). Não é que Paris seja o meu sítio preferido do mundo, mas fica ali mesmo à mão e, portanto, lá vamos nós. Vamos voltar a ver a torre Eiffel, o Louvre, os campos Elísios e todas essas coisas, mas também é bom regressar e voltar a ver (às vezes, com outros olhos) as coisas que já vimos antes. Também vamos voltar a andar naquele metro perfumadíssimo e caminhar com muita atenção na rua para nos desviarmos do lixo e dos sem-abrigo que, infelizmente, são mais que muitos. Paris é, sem dúvida, uma cidade de contrastes. Grandes contrastes. Mas isso são temas para outras conversas, que hoje o ânimo tem que estar bem lá em cima.

E, pronto, é isto. Bom fim-de-semana a todos, espero que aproveitem muito, que façam a festa, soltem a franga e, enfim, façam o que bem vos apetecer (e se o que vos apetecer for ficar em casa enrolados no sofá a ver filmes e a comer cereais directamente da caixa, também vale, que ninguém está a contar pontos e vegetar também é uma actividade de extrema importância para o ser humano). Acima de tudo, estejam sempre felizes e até segunda! (=

terça-feira, 12 de maio de 2015

Nostalgia

Não tenho uma boa impressão de Paris, como já referi várias vezes, mas, mesmo assim, não posso deixar de dizer que continua a ser uma cidade impressionante (pelo bom e, infelizmente, pelo mau). Há cerca de um ano, passei lá um fim-de-semana memorável com a minha cara metade. Estava agora a ver as fotos desses dias e deu-me uma pontinha (vá, pronto, um autêntico iceberg) de saudades.


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Mais um ano...

E, pronto, cá estou eu de volta a França, mas desta feita, com mais um anito em cima do lombo. 26. Já começa a parecer idade de pessoa adulta e (minimamente) responsável.
Só minimamente? Sim, só minimamente. E acho que isso se pode confirmar pelas peripécias que tive com esta minha mini-viagem a Portugal. 
Ora, no sábado saí eu muito contente do trabalho: era cedo, estava sol, ainda vim a casa almoçar, peguei na minha mala (que não iria pesada, não tivesse eu comprado mais de 30 tabletes de chocolate para distribuir pela família e amigos) e toca a marchar para a estação. Cheguei lá com mais de meia hora de antecedência e fui sentar-me no cubículo envidraçado sala de espera da Gare de Troyes com o meu livrito (em francês, para me misturar com os nativos). Cinco minutos depois, chega uma senhora com uma criancinha. A senhora senta-se, muito confortavelmente, e saca do telemóvel; a criança alapa-se num canto, com um ar muito amoroso. Estava eu, precisamente, a pensar no quão amoroso parecia o menino, quando ele desata a gritar a plenos pulmões "NE PAS TOUCHER" e outras frases em "criancês" que eu não consegui decifrar. E assim passou 20 minutos: aos gritos por razão nenhuma. E a mãe? Pois, a mãe estava ocupadíssima a jogar Candycrush e há que deixar o menino fazer o que quer: ele virou as malas das pessoas ao chão, gritou, deu murros às paredes, andou a correr por cima dos pés de toda a gente e a mãezinha? Era duma paz de alma que só visto. Houve uma senhora que, do alto dos seus cabelos brancos, ainda o mandou calar com um ar bastante ríspido, mas está bem, abelha. Isto da autoridade, claramente, era uma coisa que não assistia àquela criança. Já estava eu a ferver e com vontade de lhe dizer "havias de ser filho da minha mãe que tu vias já o que era bom para a tosse!" quando me resolvi a pegar na minha malita e a mudar de poiso. Entrei no comboio, tranquila da vida, com o tempo todo controlado, chego a Paris, marcho para a Gare du Nord (só o sítio mais detestável e mal cheiroso do mundo), entro no RER e suspiro de alívio: ia chegar cedo ao aeroporto. Era só tentar respirar o mínimo possível pelo nariz e tudo havia de correr bem. Pois. Nunca poderia ser assim tão fácil. O RER pára na primeira estação a seguir à Gare e soa um aviso de que a circulação tinha sido cortada nos dois sentidos e que não íamos voltar a andar durante, pelo menos, uma hora. Comecei a hiperventilar. Lá saí do RER, numa estação que não conhecia, com gente por todos os lados, pessoas a atropelarem-se umas às outras, a correrem para a superfície para apanharem um taxi. Lá tive eu que me arrastar a pé pelas escadas (a mim e à mala), que as escadas rolantes estavam avariadas e eu já não estava em condições psicológicas de procurar um elevador. Quando cheguei à rua, o meu coração parou de bater por segundos. Senhores, que aquilo parecia o Kosovo. Era gente por todo o lado, manifestação a decorrer mais ao fundo da rua, barulho, trânsito que não andava. Encontrei um polícia e pedi-lhe para me dizer onde podia apanhar um táxi: fosse isto em Portugal e o polícia chamava ele próprio um táxi, mas aqui não. Aqui, lá fui eu e a minha mala cor-de-laranja, rua fora à procura dum dito cujo. Todos ocupados. E parados no trânsito. Comecei a sentir-me mal, literalmente. No meio daquela multidão, do calor, da gente que se atropelava por todos os lados, comecei a ficar com falta de ar e a pensar que ia perder o voo. Bati à porta dum restaurante, que estava fechado, e o senhor que estava a limpar copos atrás do balcão veio abrir-me a porta. Mal ele pergunta se está tudo bem, começo eu a chorar como uma Madalena arrependida e a pedir-lhe para, por todos os santinhos, me chamar um táxi que eu só queria chegar a casa para me cantarem os parabéns. O senhor chamou-me um táxi, deixou-me ficar no restaurante à espera, chegou o táxi e, 50€ e 45 minutos mais tarde, já eu estava no aeroporto, a tempo de apanhar o meu voo.
Os dias em Portugal foram muito bons: só miminhos e comidas boas, prendas de anos (muita roupinha nova, que depois mostro, livros em português, tal como eu tinha pedido, e um super tablet que o meu namorado me deu), muito sol e esplanadas. Cada vez acho Portugal mais bonito. 
Como tudo o que é bom dura pouco, chegou rapidamente o dia de voltar, que foi hoje. Nada de dramas, nada de atrasos, tudo nos conformes. Mas, quando saiu da Gare du Nord para ir até à outra gare, onde apanha o comboio para Troyes, aqui a querida e fofa meteu-se por uma rua que não era a do costume. Eu achava que, mesmo assim, estava na direcção certa mas, como eu sou a desorientação em pessoa, decidi que era melhor perguntar a alguém. "Toda a gente nesta rua tem um ar um bocado esquisito", pensei eu, inocente. "É melhor entrar aqui no primeiro café que aparecer e perguntar." E entrei, toda senhora de mim mesma. Como trouxe uma mala pesadíssima (a minha mãe tem um dom para fazer malas. Cabe tudo e mais alguma coisa. Só que cabe tanta coisa que ela acha sempre que me vai dar jeito trazer mais isto e aquilo e, já agora, só mais um par de meias, que ainda tens aqui um espacinho, e eu que me lixe depois a carregar tudo), não olhei em volta para o café. Simplesmente baixei a cabeça para o chão e toca de erguer a mala com os dois braços a puxar em simultâneo para a fazer subir o degrau da entrada. Já lá dentro e a pensar "isto até correu bem" é que levantei a cabeça de repente e olhei à volta. "F***-**", foi a única coisa em que pensei. Estavam todos muito estupefactos a olhar para mim e eu muito estupefacta a olhar para eles. Onde é que eu estava? Numa casa de putas meninas, claro está, que isto comigo é assim, um sem fim de experiências. Respirei fundo e olha-que-se-lixe-agora-também-não-vou-perder-a-compostura. Lá perguntei o caminho, foram muito simpáticos e educados e eu voltei a fazer-me à estrada.
Desta feita, já estou em Troyes. E já chega de aventuras por uns tempos, que o meu pobre coração não aguenta tanta emoção junta.

domingo, 31 de agosto de 2014

O meu conto de fadas

Hoje o meu namorado teve que voltar para Portugal. Não vou mentir, já chorei um bocadinho. Mas foram duas semanas mesmo muito boas. Festejámos o nosso terceiro aniversário, mudámos de apartamento (ainda muito para fazer, mas já se parece com uma casa) e passámos um fim-de-semana em Paris. Não sou a maior fã de Paris, não sei se algum dia conseguiria lá viver (a menos que me saísse o euromilhões e pudesse viver num apartamento espectacular, fazer compras o tempo todo e nunca precisar de pôr um pé no metro. Repito: nunca), mas desta vez adorei visitar a cidade! Não me perguntem porquê, estar apaixonado tem destas coisas, imagino eu (e agora vou parar de escrever antes que isto fique muito lamechas). Ficam com uma do milhão e meio de fotos que tirámos.