Nos últimos dois dias estive em Paris para um congresso. Não fazia grande questão de ir, mas lá fui meter-me na confusão e tentar aprender alguma coisa de novo.
Foram dois dias muito animados e extremamente cansativos (mas ponham extremamente nisso), acho que preciso de dormir uma semana inteira só para recuperar.
Foi por estarmos tão cansados ontem ao fim do dia, que decidimos que merecíamos apanhar um táxi para ir do Palácio dos Congressos até à gare. Calhava bem haver uma praça de táxis mesmo perto do palácio, nós estávamos carregados com malas, carteiras e sacos e mais sacos da exposição e lá fomos nós, contentes da vida porque não íamos passar, mais uma vez, pela agonia que é andar no metro de Paris. A coisa começou bem assim que saímos do Palácio: um vendaval com rajadas a 200km/h (estou a exagerar, mas é para perceberem que estava mesmo muito vento), chuva, frio. Nos 40 metros que separavam a porta do Palácio da porta do táxi, deu-se lugar a toda uma epopeia digna duma cena de filme: guarda-chuvas a partir, cachecóis contra a cara, saias pelos ares, qual Marilyn Monroe, qual quê. Lá entramos no táxi. Ufa.
Senhor Taxista arranca. Já sabíamos que íamos perder o comboio das 18h12, mas talvez desse para apanhar o das 18h42. Senhor Taxista diz que vai ser difícil, porque está muito trânsito. Primeira coisa que se deve saber sobre o trânsito em Paris: ninguém respeita ninguém. Segunda coisa que se deve saber sobre o trânsito em Paris: ninguém apita para vos chamar a atenção duma asneira que tenham feito; as pessoas apitam para vos avisarem de que vão fazer uma transgressão e precisam de espaço, do género "arreda-te para onde puderes que está vermelho, mas eu quero andar". Senhor Taxista resolveu que nos ia "comer em molho de cebolada" (expressão muito bem aplicada pela Cláudia) e ganhar uns trocos extra para um café e andou a fazer um passeio turístico pela cidade, em vez de nos levar directos. Como se não bastasse, senhor taxista deve ter obtido a carta de condução na caixa dos Chocapic, pois parecia nunca ter ouvido falar de regras de trânsito. Está vermelho? Não faz mal, é para andar. Ah, mas está verde para os outros carros? Azar, eles que passem por cima. Estão peões a atravessar a rua? Contornem o carro, que se têm perninhas é para andar. A dada altura, senti-me como se estivesse numa cena do "The Walking Dead", quando uma multidão de gente que queria atravessar a rua avança furiosamente em direcção ao táxi que, por sua vez, quase conseguia atropelar dois ou três. Foi aqui que a Cláudia decidiu fechar a janela, pois mais valia aguentar os 27 graus que estavam dentro do carro do que levar um banano dum transeunte enraivecido.
Finalmente, começámos a aproximar-nos da gare. Senhor Taxista passa mais um semáforo vermelho. Desta feita, foi embater numa mota, atirando a dita cujo e o respectivo condutor ao chão. Senhor Taxista nem pestaneja. Depois do dia épico que estávamos a ter, eu vi o homem a cair e pensei "está morto" e tirei o cinto de segurança, a preparar-me para sair do carro, assim como outro dos meus colegas. Senhor Taxista lá pensou que seria boa ideia sair do carro e ir avaliar os estragos. Não houveram estragos. O homem estava bem e de saúde, sem nada partido. Senhor Taxista atirou as culpas para o autocarro que estava quieto e sossegado sem estorvar ninguém.
Chegámos à gare. Perdemos o comboio das 18h42, mas pudemos ir ao Starbucks beber um Gingerbread latte e começar a recuperar de toda esta emoção.
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| Gingerbread latte. Aconselho vivamente. |


















